A fragilidade das instituições democráticas na América Latina é o tema central de dois filmes indicados ao prêmio de melhor documentário na 13ª edição do Prêmio Platino, considerada a principal premiação do cinema ibero-americano. O resultado será anunciado em cerimônia marcada para o próximo sábado (9), no México.
Entre os concorrentes está o brasileiro Apocalipse nos Trópicos, dirigido por Petra Costa. A produção analisa a crescente influência de lideranças evangélicas na política nacional. O documentário acompanha o período entre 2018 e 2023, incluindo a ascensão e queda do governo de Jair Bolsonaro e a tentativa de golpe registrada em janeiro de 2023.
Também na disputa, o paraguaio Sob as bandeiras, o Sol, de Juanjo Pereira, revisita a ditadura de Alfredo Stroessner, que governou o país entre 1954 e 1989. Considerado o regime mais longevo da América Latina, deixou ao menos 20 mil vítimas e 420 mortos ou desaparecidos, segundo dados oficiais da Comissão da Verdade e Justiça.
O filme utiliza imagens históricas raras, incluindo cinejornais e materiais de propaganda estatal, para reconstruir o período. Parte significativa dos arquivos audiovisuais foi destruída ao longo dos anos, o que dificultou a preservação da memória sobre o regime.
Sem entrevistas ou narração, a obra analisa o papel dos meios de comunicação no apoio à ditadura. Especialistas apontam que o controle da informação foi determinante para a longevidade do governo autoritário, ajudando a consolidar uma imagem de estabilidade e progresso.
Outro aspecto abordado é a participação do Paraguai na Operação Condor, aliança entre regimes militares da América Latina para perseguir opositores políticos, com apoio dos Estados Unidos. O documentário também destaca a relação com o Brasil, incluindo acordos como a construção da Usina de Itaipu, frequentemente criticados por condições desfavoráveis ao lado paraguaio.
Além dos dois filmes sul-americanos, a categoria conta com produções europeias. Tardes de Solidão, dirigido por Albert Serra, retrata a rotina do toureiro Andrés Roca Rey, explorando o universo das touradas com forte carga visual. Já Flores para Antônio, de Elena Molina e Isaki Lacuesta, acompanha a atriz Alba Flores em uma jornada pessoal para compreender a trajetória de seu pai, o cantor Antonio Flores.
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