Inflação desacelera em maio, mas alimentos e energia elétrica pressionam orçamento das famílias

IPCA sobe 0,58% no mês; queda dos combustíveis ajudou a conter avanço dos preços, enquanto alimentos e conta de luz lideraram impactos sobre a inflação

A inflação oficial do Brasil desacelerou em maio, mas continua pressionando o bolso dos consumidores. De acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,58%, resultado inferior aos 0,67% observados em abril.

Com o novo resultado, o índice acumula alta de 3,20% no ano e de 4,72% nos últimos 12 meses, permanecendo acima do centro da meta de inflação estabelecida para o país.

Um dos fatores que contribuíram para a desaceleração foi a queda nos preços dos combustíveis. O grupo Transportes apresentou recuo de 0,46%, influenciado principalmente pela redução da gasolina, do etanol e do óleo diesel.

A gasolina, que possui peso significativo no cálculo da inflação, caiu 1,46% em maio e foi o item que mais ajudou a conter o avanço do índice. O etanol registrou queda de 6,20%, enquanto o diesel ficou 2,34% mais barato. Na contramão, o gás veicular apresentou alta de 5,81%.

Alimentos continuam pesando no orçamento

Apesar do alívio proporcionado pelos combustíveis, os alimentos seguiram pressionando a inflação. O grupo Alimentação e Bebidas teve alta de 1,33% e respondeu sozinho por cerca de metade do resultado registrado no mês.

Dentro da alimentação consumida em casa, alguns produtos apresentaram aumentos expressivos. A batata-inglesa liderou as altas, com avanço de 44,69%, seguida pelo tomate, que subiu 20,62%, pela cebola, com aumento de 16,80%, e pelas carnes, que registraram alta de 1,39%.

Os resultados mostram que a alimentação continua sendo um dos principais desafios para o controle da inflação, especialmente para as famílias de menor renda.

Conta de luz foi principal impacto individual

Outro fator de destaque foi a energia elétrica residencial. O item apresentou aumento de 3,67% e teve o maior impacto individual sobre o IPCA de maio.

Segundo o IBGE, a elevação foi influenciada pela adoção da bandeira tarifária amarela durante o período, além de reajustes autorizados em diversas distribuidoras do país. O sistema de bandeiras acrescentou R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos.

Com isso, o grupo Habitação acelerou de 0,63% em abril para 1,22% em maio, tornando-se o segundo maior responsável pela inflação do período.

Saúde e higiene também registram aumentos

O grupo Saúde e Cuidados Pessoais apresentou alta de 0,90%, puxado principalmente pelos artigos de higiene pessoal, que avançaram 1,95%.

Entre os produtos que mais subiram estão os perfumes, com alta de 4,42%. Os planos de saúde também registraram aumento, com variação de 0,50% no mês.

Campo Grande e Aracaju tiveram maiores altas

Entre as regiões pesquisadas pelo IBGE, as maiores variações da inflação foram observadas em Aracaju e Campo Grande, ambas com avanço de 1,31%.

Em Aracaju, o resultado foi influenciado principalmente pela alta da energia elétrica. Já em Campo Grande, além da conta de luz, o aumento dos preços do tomate teve forte impacto no índice regional.

A menor inflação foi registrada em Curitiba, onde o IPCA ficou em 0,29%, influenciado pela queda dos preços da gasolina e de taxas relacionadas ao licenciamento de veículos.

INPC também desacelera

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de até cinco salários mínimos, registrou alta de 0,65% em maio, abaixo dos 0,81% observados em abril.

No acumulado do ano, o indicador soma alta de 3,36%. Nos últimos 12 meses, a inflação medida pelo INPC chegou a 4,42%.

Assim como ocorreu no IPCA, os alimentos continuaram exercendo forte pressão sobre os preços, embora a desaceleração dos combustíveis tenha contribuído para conter uma alta ainda maior.

Os números divulgados pelo IBGE mostram que, apesar da desaceleração registrada em maio, a inflação segue sendo influenciada principalmente pelos preços da alimentação e da energia elétrica, dois itens que possuem impacto direto no orçamento das famílias brasileiras.

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