Custo da construção acelera em abril e registra maior alta para o mês desde o período pós-pandemia

Índice nacional sobe 0,72% no mês e atinge R$ 1.946 por metro quadrado, pressionado principalmente pelos materiais

O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) registrou alta de 0,72% em abril, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado representa uma aceleração em relação a março, quando o índice havia avançado 0,37%, e marca a terceira maior variação para o mês desde 2005, desconsiderando os anos impactados pela pandemia.

No acumulado de 12 meses, o índice chegou a 7,01%, superando os 6,73% registrados no período imediatamente anterior. Já no acumulado de 2026, a alta é de 2,89%, indicando uma trajetória consistente de elevação nos custos da construção civil ao longo do ano.

O custo nacional por metro quadrado passou de R$ 1.932,27 em março para R$ 1.946,09 em abril. Desse total, R$ 1.098,80 correspondem aos materiais e R$ 847,29 à mão de obra, evidenciando o peso significativo dos insumos na composição dos custos.

Materiais pressionam índice e mão de obra mantém alta

A parcela dos materiais teve variação de 0,83% no mês, acelerando tanto frente a março (0,43%) quanto na comparação com abril de 2025 (0,31%). Já a mão de obra registrou alta de 0,57%, também acima do mês anterior (0,31%), embora tenha apresentado leve recuo em relação ao mesmo período do ano passado (0,68%).

No acumulado do ano, os materiais subiram 1,90%, enquanto a mão de obra avançou 4,19%. Em 12 meses, a diferença é ainda mais expressiva: 4,99% para materiais contra 9,77% para mão de obra.

Segundo o gerente da pesquisa, Augusto Oliveira, o resultado de abril se destaca no histórico recente. Ele aponta que, fora os anos influenciados pela Covid-19, trata-se de uma das maiores variações já registradas para o mês, refletindo pressões estruturais nos custos do setor.

Nordeste lidera altas regionais; Acre tem maior variação estadual

Regionalmente, o Nordeste apresentou a maior variação em abril, com alta de 0,98%, impulsionada principalmente pelo Maranhão, onde houve reajustes em categorias profissionais. As demais regiões registraram os seguintes resultados: Norte (0,58%), Sudeste (0,66%), Sul (0,61%) e Centro-Oeste (0,42%).

Entre os estados, o Acre liderou com a maior alta do país, 3,89%, seguido pelo Maranhão (2,99%), ambos influenciados por acordos coletivos que impactaram os custos de mão de obra.

Criado em 1969, o Sinapi é referência nacional na produção de indicadores de custos da construção civil, sendo amplamente utilizado na elaboração de orçamentos e no acompanhamento de obras públicas e privadas. A próxima divulgação, referente a maio de 2026, está prevista para o dia 12 de junho.

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