O Parque da Serrinha do Paranoá, unidade de conservação recentemente autorizada pela governadora Celina Leão, não inclui a Gleba A de 716 hectares, utilizada como garantia em empréstimos para o Banco de Brasília (BRB).
Segundo a Associação Preserva Serrinha, os riscos ambientais à vegetação nativa e aos córregos da região permanecem, já que o parque abrange apenas 65,9 hectares.
Lúcia Mendes, diretora da entidade, explica que as áreas não se sobrepõem e a Gleba A continua sem proteção, podendo ser transformada em zona residencial para capitalizar o banco.
A unidade foi oficializada por decreto publicado no Diário Oficial do DF nesta terça-feira (7) e, de acordo com o GDF, visa preservar recursos ecológicos e paisagísticos, além de permitir atividades de pesquisa, educação ambiental e turismo.
O parque inclui trechos estratégicos para a conservação hídrica, como a cachoeira do córrego Urubu e áreas de vegetação nativa do Cerrado. No entanto, a área da Gleba A continua vulnerável, apesar de anúncios prévios de proteção ambiental que ainda não se concretizaram.
Localizada entre Varjão e Paranoá, a região abriga 119 minas d’água essenciais para o abastecimento do Lago Paranoá. Lúcia Mendes alerta que a impermeabilização do solo pode comprometer a recarga de aquíferos.
A decisão de incluir a Gleba A nos imóveis vinculados ao BRB foi tomada pelo ex-governador Ibaneis Rocha e aprovada pela Câmara Legislativa do DF.
Pedido de esclarecimento
A Secretaria de Comunicação do GDF foi contatada para esclarecer a situação da Gleba A, mas ainda não respondeu. O Conselho Deliberativo da Área de Preservação Ambiental do Planalto Central recomendou a criação de uma unidade de conservação integral para proteger totalmente a Gleba A.
Leis e regulamentos locais classificam a Serrinha do Paranoá como área de risco ecológico e de prioridade hídrica, reforçando seu valor estratégico para a sustentabilidade territorial.
Entenda o caso
Em março, a Justiça Federal proibiu a venda da área para salvar o BRB, mas a liminar foi derrubada pelo Tribunal de Justiça do DF. Diversas ações judiciais questionam a alienação da Gleba A.
O BRB enfrenta problemas de liquidez e investigação da Polícia Federal por suspeita de fraude na compra de créditos do Banco Master, totalizando cerca de R$ 12,2 bilhões em operações contestadas.
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