PCC: investigação liga Deolane Bezerra à lavagem de dinheiro

Operação Vérnix foi deflagrada após a apreensão de bilhetes do PCC em um presídio paulista. Investigação aponta movimentações financeiras suspeitas envolvendo Deolane Bezerra e familiares de Marcola.

Bilhetes apreendidos em 2019 dentro de um presídio em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, deram origem à investigação que resultou na Operação Vérnix, realizada nesta quinta-feira (21) pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), os documentos continham ordens internas do Primeiro Comando da Capital (PCC). Embora o nome da influenciadora e advogada Deolane Bezerra não aparecesse diretamente nas mensagens, as investigações avançaram até identificar movimentações financeiras atribuídas a uma transportadora apontada como ligada à facção criminosa.

Segundo os investigadores, valores provenientes da empresa eram distribuídos para diferentes contas bancárias com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro. Duas dessas contas estariam em nome de Deolane, que é suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro.

A operação também teve como alvos Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder do PCC e atualmente preso na Penitenciária Federal de Brasília; Alejandro Camacho, irmão de Marcola; Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha do chefe da facção e considerada intermediária nos negócios da família; e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, investigado como destinatário de recursos movimentados no esquema.

A Polícia Federal e o Ministério Público atuam em cooperação nas buscas internacionais. Os investigados foram incluídos na Lista Vermelha da Interpol. A Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além do bloqueio de mais de R$ 327 milhões e da apreensão de 17 veículos de luxo e quatro imóveis.

O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), afirmou que as investigações demonstram que lideranças da facção continuavam mantendo comunicações e orientações externas mesmo estando presas.

Segundo o promotor, as cartas apreendidas em 2019 ajudaram a identificar a transportadora investigada. Ele declarou que a empresa seria controlada pela família Camacho e utilizada para movimentação de recursos ilícitos.

As investigações também apontam possíveis conexões entre Deolane Bezerra e outras vertentes do crime organizado, além de empresas relacionadas ao setor de apostas online.

De acordo com o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, a quebra de sigilos bancário e fiscal revelou crescimento patrimonial considerado incompatível com os serviços declarados pela influenciadora.

Segundo o procurador, a suspeita é de que valores do crime organizado tenham sido misturados a recursos provenientes de outras atividades econômicas, dificultando a identificação da origem do dinheiro.

As autoridades afirmaram que a investigação deve ter novos desdobramentos nos próximos meses.

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