Diego Guimarães defende pacto federativo no STF para assegurar atendimento na divisa entre Mato Grosso e Pará

Audiência no STF discute acordo entre os estados para garantir serviços públicos na região de fronteira.

A busca por uma saída jurídica e humanitária para o impasse que envolve a divisa entre o Centro-Oeste e o Norte do país avançou em ambiente conciliatório. O Supremo Tribunal Federal (STF) realizou, nesta quarta-feira (10), em Brasília (DF), uma audiência de conciliação destinada a tratar da definição dos limites territoriais entre Mato Grosso e Pará. O encontro reuniu lideranças políticas e buscou soluções práticas para atenuar os impactos socioeconômicos sofridos pelas comunidades locais.

O deputado estadual Diego Guimarães, representante da região Norte mato-grossense, defendeu que o foco central do debate deve superar a disputa por mapas, priorizando o bem-estar dos moradores.

Pacto federativo surge como alternativa para garantir serviços públicos e segurança jurídica

Durante os debates na Suprema Corte, ganhou força a proposta de formatação de um pacto federativo de cooperação mútua entre os dois estados. A iniciativa visa estabelecer uma engenharia administrativa compartilhada, blindando juridicamente os prefeitos que aplicam recursos públicos na faixa de divisa e assegurando a continuidade dos serviços básicos prestados às famílias. Pelo modelo proposto, municípios mato-grossenses poderiam manter formalmente os atendimentos essenciais, mesmo em frações de terra tecnicamente vinculadas ao território paraense.

Diego Guimarães classificou o resultado da audiência como altamente produtivo. Segundo o parlamentar, a flexibilização institucional por meio do pacto é a via mais rápida para mitigar a insegurança que afeta tanto as gestões municipais quanto as famílias que necessitam de suporte em saúde, educação e logística rodoviária. As premissas estruturais defendidas pelas lideranças para a composição do acordo reúnem:

  • Continuidade Assistencial: Manutenção irrestrita dos serviços de saúde e educação para a população da fronteira;
  • Resguardo de Gestores: Criação de salvaguardas legais para prefeitos contra sanções de órgãos de controle;
  • Equilíbrio Fiscal: Possibilidade de compensação ou ressarcimento financeiro entre os entes federativos;
  • Regularização Fundiária: Mitigação dos conflitos de títulos de propriedade gerados pela indefinição cartográfica.

Municípios do Norte de Mato Grosso absorvem demanda assistencial de paraenses

A necessidade de um consórcio administrativo é respaldada pela realidade prática apresentada pelos prefeitos da região. Cidades polos como Matupá, Paranaíta e Alta Floresta já absorvem e custeiam as demandas básicas de aproximadamente duas mil pessoas que habitam as áreas em litígio. Presente na audiência, a deputada Janaina Riva também destacou o cenário de vulnerabilidade social gerado pelo impasse, lembrando que o vácuo estatal dificulta a atuação regular de forças de segurança e de agências de fomento agrícola.

O direcionamento consensual da audiência estabeleceu que novas rodadas de diálogo técnico serão agendadas para detalhar as cláusulas do pacto federativo antes de uma homologação definitiva. O objetivo é criar um teto de transição operacional transparente, dividindo custos e responsabilidades de forma justa enquanto os ministros do STF consolidam o parecer final sobre o traçado geográfico.

Elementos da Proposta de Conciliação Territorial Diretrizes e Diagnóstico Técnico (2026)
Foco Principal da Defesa no STF Construção de Pacto Federativo de cooperação
Representação do Norte do Estado Deputado Estadual Diego Guimarães (Republicanos)
Público sob Dependência Direta Cerca de 2.000 moradores na área de divisa
Cidades de MT com Demanda Absorvida Alta Floresta, Matupá, Paranaíta e municípios vizinhos
Meta de Compensação Futura Ajuste financeiro de despesas entre MT e PA

Ao alinhar a sensibilidade social com a necessidade de segurança jurídica, a Assembleia Legislativa e o Executivo buscam evitar que as linhas divisórias sirvam de barreira para o exercício pleno da cidadania, mantendo as estruturas públicas funcionando de forma ininterrupta na região de fronteira.

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