O mercado de commodities em Mato Grosso registra um movimento de gangorra econômica. Enquanto o produtor rural comemora a valorização expressiva do grão, as indústrias processadoras enfrentam um cenário de rentabilidade sob forte pressão.
Recorde de Cotação: Dados estatísticos divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) revelam que julho fechou com a maior média de preços da soja no estado em 2026, com a saca negociada a R$ 116,74.
O patamar representa um salto nominal de 9,49% (equivalente a R$ 10,12 a mais por saca) em relação a junho, além de superar em 3,91% os valores praticados em julho do ano passado. No entanto, o encarecimento da principal matéria-prima trouxe um impacto direto e imediato para a cadeia de esmagamento.
O Impacto Direto na Margem de Esmagamento
Com o grão mais caro, a margem bruta de esmagamento no estado sofreu uma retração expressiva de 20,52% na comparação mensal, encerrando o período avaliado com média de R$ 435,43 por tonelada processada.
📊 Descompasso nos Coprodutos: Embora os derivados da soja também tenham apresentado variações positivas — com alta de 4,46% para o farelo e de 0,22% para o óleo —, os reajustes comerciais ficaram distantes de acompanhar a disparada no custo de aquisição do grão bruto.
Perspectivas para a Entressafra em Mato Grosso
O avanço das cotações é sustentado fundamentalmente pelo período de entressafra e pela menor disponibilidade física do produto circulando no mercado spot mato-grossense.
“Caso os preços dos coprodutos não acompanhem esse movimento, a margem bruta de esmagamento deverá permanecer pressionada nos próximos meses”, alertam os analistas do Imea em sua última radiografia de mercado.
Com a oferta restrita e a demanda interna e externa aquecida, a indústria local precisará redobrar as estratégias de gestão para atravessar o restante do ciclo produtivo sem comprometer os investimentos em expansão.
Cotações da Soja
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