Os preços do algodão em pluma recuaram nos últimos dias tanto no mercado interno quanto no mercado internacional, conforme apontam levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. No Brasil, o movimento de baixa tem sido influenciado principalmente pela ampla disponibilidade do produto, pela ausência de compradores mais ativos e pela redução da paridade de exportação, fatores que limitam a sustentação das cotações.
Segundo os pesquisadores do Cepea, o ambiente doméstico segue marcado por cautela nas negociações, com indústrias mantendo postura mais retraída diante do volume disponível e das condições menos atrativas para exportação. Esse conjunto de fatores tem pressionado os preços no mercado spot, mesmo em um momento em que parte dos produtores já direciona atenção para a próxima safra.
No mercado externo, as quedas foram menos intensas, mas também presentes. As baixas internacionais estiveram associadas, principalmente, ao elevado estoque global de algodão, que mantém o mercado abastecido, e à valorização do dólar frente a uma cesta de moedas, movimento que tende a pressionar as cotações das commodities negociadas internacionalmente.
Apesar do cenário de preços mais fracos, o cultivo da nova temporada avança em bom ritmo no Brasil. Pesquisadores do Cepea destacam que a produção de algodão para a próxima safra está estimada em 3,82 milhões de toneladas, volume que representa uma queda de 6,3% em relação à safra passada. A redução reflete ajustes na área e na expectativa produtiva, mas ainda indica um patamar elevado de oferta.
Diante desse contexto, o mercado de algodão permanece atento à evolução da demanda interna, ao comportamento das exportações e aos sinais do cenário internacional. A tendência, conforme análise do Cepea, é de que os preços sigam sensíveis à dinâmica entre oferta abundante, estoques globais e variações cambiais, fatores que continuam no radar de produtores e agentes da cadeia, como vem sendo acompanhado pelo CenarioMT.
Cotações do Algodão
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