Preços do milho sobem no Brasil apesar de cenário internacional desfavorável

Levantamento do Cepea revela que a valorização do dólar e a retração de vendedores impulsionam as cotações do milho no mercado interno, mesmo com demanda externa enfraquecida

Os preços do milho continuam a subir no mercado brasileiro, desafiando a tendência de queda observada no cenário internacional. De acordo com o mais recente levantamento realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), essa recuperação nos preços internos é sustentada por uma combinação de fatores econômicos, entre os quais se destacam a valorização do dólar frente ao real e a estratégia de retração adotada por vendedores no mercado nacional. Essa situação tem gerado um ambiente de negócios que contrasta fortemente com o observado no ano passado, quando a demanda externa pelo cereal brasileiro era significativamente mais robusta.

Enquanto o mercado internacional de milho enfrenta uma diminuição nos preços devido à abundante oferta global e à menor demanda, o Brasil segue uma trajetória contrária. As cotações internas do milho continuam a crescer, impulsionadas por condições específicas que diferem do contexto global. O dólar fortalecido é um dos principais agentes dessa divergência, pois aumenta a paridade de exportação e torna os grãos brasileiros mais competitivos no mercado externo. Assim, mesmo com a demanda externa abaixo dos níveis observados em 2023, a expectativa de um aumento no interesse por parte dos compradores internacionais está elevando as cotações no Brasil.

Segundo os pesquisadores do Cepea, a taxa de câmbio atual favorece a exportação do milho, aumentando o interesse dos traders em movimentar estoques através dos portos brasileiros. Esta dinâmica se reflete em um mercado interno onde a paridade de exportação se torna um fator preponderante na formação dos preços, ao mesmo tempo em que força os vendedores locais a adotar uma postura estratégica de retenção, aguardando melhores condições para maximizar seus ganhos.

Estratégia de vendedores e comportamento do mercado

A decisão dos vendedores de segurar o milho à espera de preços mais altos tem sido um fator crítico na manutenção dos valores elevados no mercado interno. Esse comportamento estratégico se traduz em uma oferta mais restrita, contribuindo para uma pressão ascendente sobre os preços. Conforme detalhado pelo Cepea, a retração dos vendedores ocorre em um momento em que muitos produtores brasileiros estão cautelosos, monitorando de perto o comportamento cambial e o cenário de exportação.

Para os compradores domésticos, essa situação resulta em desafios adicionais. Aqueles que necessitam repor seus estoques de milho estão encontrando preços de venda substancialmente elevados, uma realidade que impacta especialmente aqueles que não possuem contratos futuros ou estoques comprados a preços mais baixos anteriormente. Segundo o levantamento, parte dos compradores internos ainda dispõe de estoques e/ou entregas programadas a cotações mais acessíveis, uma vantagem competitiva que alivia, em parte, a pressão dos preços atuais.

Impacto nos custos e na cadeia produtiva do milho

Essa elevação nos preços do milho tem implicações significativas para a cadeia produtiva brasileira, especialmente no setor de ração animal, que depende fortemente do cereal como principal insumo. O aumento nos custos do milho pode levar a uma inflação nos preços da carne e de outros produtos derivados de proteína animal, afetando a economia doméstica e o poder de compra dos consumidores.

O cenário também traz desafios para pequenos produtores que, sem a mesma capacidade de negociação ou acesso a contratos futuros, enfrentam dificuldades em competir no mercado interno e externo. A disparidade de preços pode resultar em uma concentração ainda maior do mercado nas mãos de grandes produtores e exportadores, que têm maior flexibilidade para operar em um ambiente de câmbio volátil e preços elevados.

O Cepea projeta que a situação atual pode se prolongar, dependendo de fatores externos, como o comportamento do mercado global de commodities, as condições climáticas, e as políticas econômicas que influenciam o câmbio. A oscilação do dólar continuará a desempenhar um papel crucial na formação de preços, assim como a capacidade dos vendedores de sustentar sua estratégia de retenção de oferta.

Em suma, o levantamento do Cepea destaca um cenário de contrastes para o mercado brasileiro de milho: enquanto a dinâmica interna de valorização do produto permanece forte, ela está embasada em fatores que podem rapidamente se alterar, exigindo monitoramento contínuo por parte de todos os agentes envolvidos. A confluência de uma oferta restrita, a volatilidade cambial e a expectativa de um cenário de exportação mais favorável sustenta as atuais cotações, mas também lança incertezas sobre o futuro próximo, onde mudanças nos fundamentos podem redefinir o equilíbrio de forças no mercado.

DISPONÍVEL
Alta Floresta
36,00
-0,14
Alto Araguaia
42,20
-2,43
Alto Garças
43,10
-0,23
Campo Novo do Parecis
41,25
-0,60
Campo Verde
43,40
-0,12
Campos de Júlio
41,50
-0,48
Canarana
40,80
-0,24
Diamantino
42,15
-0,24
Ipiranga do Norte
38,00
-0,13
Lucas do Rio Verde
38,05
-0,26
Mato Grosso
40,22
-0,27
Matupá
36,10
-0,14
Nova Mutum
38,60
-0,26
Nova Ubiratã
38,10
-0,26
Porto dos Gaúchos
36,80
-0,27
Primavera do Leste
43,55
-0,23
Querência
40,15
-0,25
Rondonópolis
44,90
-0,11
Sapezal
41,95
-0,24
Sinop
39,70
-0,25
Sorriso
40,50
-0,25
Tangará da Serra
42,25
-0,24
Vila Rica
39,35
-0,25
EXPORTAÇÃO JUL/2026
Alta Floresta
26,00
2,13
Alto Araguaia
42,25
1,30
Campo Novo do Parecis
33,32
1,65
Campo Verde
36,96
1,49
Campos de Júlio
30,96
1,80
Canarana
34,02
1,62
Diamantino
33,01
1,69
Ipiranga do Norte
30,71
1,80
Lucas do Rio Verde
32,82
1,70
Mato Grosso
33,34
1,65
Nova Mutum
32,09
1,72
Nova Ubiratã
30,97
1,80
Porto dos Gaúchos
43,87
1,26
Primavera do Leste
36,98
1,50
Querência
32,27
1,71
Rondonópolis
38,75
1,42
Sapezal
31,78
1,73
Sinop
30,64
1,81
Sorriso
31,88
1,73
Tangará da Serra
32,39
1,72
Vila Rica
39,90
1,39
FRETE GRÃOS
Campo Novo do Parecis - Paranaguá
502,60
-0,23
Campo Novo do Parecis - Porto Velho
301,03
-1,43
Campo Novo do Parecis - Rondonópolis
186,72
-1,18
Campo Novo do Parecis - Santos
507,50
-0,98
Campo Verde - Alto Taquari
-
0,00
Campo Verde - Paranaguá
421,67
0,00
Campo Verde - Rio Verde
-
0,00
Campo Verde - Rondonópolis
100,00
1,69
Campo Verde - Santos
430,00
0,00
Canarana - Alto Araguaia
185,00
-2,63
Canarana - Paranaguá
454,88
-0,03
Canarana - Santos
470,55
0,00
Canarana - Uberlândia
290,00
0,00
Diamantino - Alto Taquari
-
0,00
Diamantino - Paranaguá
460,81
-0,04
Diamantino - Rondonópolis
162,00
0,62
Diamantino - Santos
490,86
0,01
Rondonópolis - Alto Taquari
-
0,00
Rondonópolis - Maringá
-
0,00
Rondonópolis - Paranaguá
389,87
-0,46
Rondonópolis - Santos
409,01
0,99
Sapezal - Porto Velho
-
0,00
Sorriso - Alto Taquari
-
0,00
Sorriso - Cuiabá
140,34
0,24
Sorriso - Miritituba
331,25
-0,90
Sorriso - Paranaguá
505,64
-0,69
Sorriso - Rondonópolis
178,78
-2,04
Sorriso - Santos
522,62
0,00
SEMEADURA 25/26
Centro-Sul
100,00
1,41
Mato Grosso
100,00
0,80
Médio-Norte
100,00
0,00
Nordeste
100,00
1,15
Noroeste
100,00
0,00
Norte
100,00
0,00
Oeste
100,00
0,77
Sudeste
100,00
3,02
COLHEITA 24/25
Centro-Sul
100,00
0,04
Mato Grosso
100,00
0,29
Médio-Norte
100,00
0,00
Nordeste
100,00
0,00
Noroeste
100,00
0,00
Norte
100,00
0,00
Oeste
100,00
0,19
Sudeste
100,00
1,85
COMERCIALIZAÇÃO 24/25
Centro-Sul
99,51
1,19
Mato Grosso
99,88
0,89
Médio-Norte
100,00
0,72
Nordeste
99,45
1,45
Noroeste
100,00
0,99
Norte
100,00
0,18
Oeste
100,00
0,88
Sudeste
100,00
1,00
COMERCIALIZAÇÃO 25/26
Centro-Sul
47,92
10,06
Mato Grosso
47,30
7,26
Médio-Norte
48,66
7,23
Nordeste
48,39
9,17
Noroeste
48,91
7,99
Norte
46,63
3,08
Oeste
44,02
3,50
Sudeste
43,35
7,87
PREÇO MENSAL 24/25
Centro-Sul
42,64
-3,23
Mato Grosso
42,48
-6,12
Médio-Norte
41,87
-5,99
Nordeste
42,37
-2,57
Noroeste
43,63
-1,74
Norte
43,75
-0,67
Oeste
40,10
-3,12
Sudeste
43,27
-10,37
PREÇO MENSAL 25/26
Centro-Sul
43,43
-2,55
Mato Grosso
43,52
-2,53
Médio-Norte
42,97
-4,56
Nordeste
41,90
-1,02
Noroeste
42,62
-6,12
Norte
42,80
0,28
Oeste
43,33
-2,20
Sudeste
46,09
1,23
ÁREA 25/26
Centro-Sul
461.811,15
0,00
Mato Grosso
7.392.353,37
0,00
Médio-Norte
2.628.128,06
0,00
Nordeste
1.315.462,24
0,00
Noroeste
687.045,85
0,00
Norte
668.827,56
0,00
Oeste
518.752,80
0,00
Sudeste
1.112.325,71
0,00
PRODUTIVIDADE 25/26
Centro-Sul
119,74
2,53
Mato Grosso
120,28
1,32
Médio-Norte
125,61
2,72
Nordeste
114,83
0,00
Noroeste
121,10
0,65
Norte
117,33
0,69
Oeste
120,82
0,66
Sudeste
115,37
0,00
PRODUÇÃO 25/26
Centro-Sul
3.317.713,51
2,52
Mato Grosso
53.349.392,13
1,32
Médio-Norte
19.807.457,33
2,72
Nordeste
9.063.208,08
0,00
Noroeste
4.992.209,91
0,66
Norte
4.708.373,07
0,69
Oeste
3.760.569,39
0,66
Sudeste
7.699.860,85
0,00
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