A forte alta no preço do diesel em pouco mais de um mês já começa a pesar de forma direta sobre o custo de produção agropecuária no Brasil. Levantamento do Projeto Campo Futuro, desenvolvido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, com apoio da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, mostra que o impacto já atinge bilhões de reais e tende a se intensificar ao longo de 2026.
Segundo os dados, a elevação acumulada do combustível já provoca aumento expressivo nas despesas operacionais, com destaque para a cana-de-açúcar, que registra acréscimo de R$ 355 por hectare — o maior entre as principais culturas analisadas. No consolidado, o impacto sobre o agronegócio brasileiro chega a R$ 7,2 bilhões e pode ultrapassar R$ 14 bilhões caso a trajetória de alta se mantenha.
O peso maior sobre a cana está diretamente ligado ao seu modelo produtivo. Trata-se de uma cultura altamente mecanizada, que depende intensamente de máquinas movidas a diesel em todas as etapas, do corte ao transporte até as usinas. Além disso, a colheita se estende por vários meses, ampliando o consumo de combustível por área e tornando a atividade mais vulnerável às oscilações de preço.
Em outras culturas, o efeito também é sentido, mas em menor escala. Na soja, o aumento varia entre R$ 42 e R$ 48 por hectare, enquanto no milho os custos sobem entre R$ 40 e R$ 75. O arroz aparece na sequência, com elevação de R$ 203 por hectare, influenciado principalmente pelo uso intensivo de irrigação. Ainda assim, nenhuma dessas atividades apresenta o mesmo nível de dependência do diesel que a canavicultura.
Com o litro do combustível girando em torno de R$ 7,50 em abril, o encarecimento já se espalha por toda a cadeia produtiva. O impacto vai desde o preparo do solo até o transporte da produção, pressionando os custos de grãos, açúcar, etanol e outros alimentos. Na prática, parte desse aumento tende a chegar ao consumidor final, ao mesmo tempo em que reduz as margens dos produtores rurais.
Sem alternativas viáveis no curto prazo, como a eletrificação em larga escala das máquinas agrícolas ou a substituição significativa por outras fontes de energia, o produtor enfrenta um cenário de difícil ajuste. A tendência é que o diesel se consolide como um dos principais fatores de risco para o planejamento da safra 2026, influenciando decisões sobre investimento, área plantada e adoção de tecnologias no campo.
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