A empresa 99 desenvolveu uma tecnologia para monitorar o comportamento de motociclistas parceiros durante as corridas realizadas pela plataforma. O sistema acompanha práticas consideradas de risco, como acelerações e frenagens bruscas, curvas acentuadas, mudanças repentinas de faixa e excesso de velocidade.
Por meio de sensores e algoritmos, a ferramenta identifica movimentos irregulares e envia alertas preventivos aos condutores. A empresa informou que novas funcionalidades também devem incluir o monitoramento de infrações como avanço de sinal vermelho, circulação na contramão e tráfego sobre calçadas.
Segundo dados do Relatório de Direção da companhia, que analisou os três primeiros meses de 2026, até 82% dos motociclistas conseguiram corrigir comportamentos de risco após receberem notificações pelo aplicativo.
No Rio de Janeiro, cidade escolhida para testar a iniciativa, o melhor resultado foi registrado em março, quando 82% dos condutores alertados passaram a dirigir de maneira mais segura. Em outubro de 2025, a prefeitura da capital fluminense iniciou a fiscalização de manobras perigosas realizadas por motoristas de aplicativo, medida à qual a 99 aderiu.
Os números do levantamento mostram que, em janeiro deste ano, o índice de melhora entre os motociclistas notificados foi de 48%. Em fevereiro, a taxa ficou em 14%, embora apenas 0,03% dos condutores parceiros tenham sido advertidos por comportamento imprudente no período.
Em âmbito nacional, mais de 80% dos motociclistas alertados em março apresentaram melhora na condução ainda no mesmo mês. Em janeiro, o índice foi de 31%, enquanto em fevereiro chegou a 7%.
Regras e restrições
A gerente sênior de segurança da 99, Maria Luiza Marcolan, afirmou que os motociclistas precisam manter uma nota mínima de 60% para continuar ativos na plataforma.
De acordo com ela, os condutores que ficam abaixo dessa pontuação recebem um aviso e têm 15 dias para melhorar o desempenho. Caso não haja mudança no comportamento, são aplicadas restrições temporárias.
Na primeira ocorrência, o motociclista fica cinco dias afastado da plataforma. Em caso de reincidência no mês seguinte, a suspensão passa para dez dias. Se o problema persistir, a restrição sobe para 30 dias e, em uma nova infração, o condutor pode ser bloqueado definitivamente.
Maria Luiza destacou que 60% dos motociclistas que sofreram a primeira restrição conseguiram melhorar a pilotagem posteriormente. Segundo ela, o objetivo da empresa é promover mudança de comportamento e ampliar a segurança viária.
A executiva também afirmou que o Relatório de Direção auxilia os parceiros a entenderem hábitos de risco e realizarem ajustes práticos no dia a dia. Conforme a empresa, houve redução de 35% nos acidentes registrados no primeiro trimestre de 2026, índice superior ao observado no mesmo período de 2025, quando a queda foi de 11%.
Para a companhia, a combinação entre tecnologia e orientação aos condutores tem contribuído para ampliar a segurança no trânsito e reduzir ocorrências envolvendo motociclistas parceiros.
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