A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) lidera uma iniciativa científica estratégica para garantir a soberania tecnológica da fruticultura brasileira: o desenvolvimento de uma linhagem nacional de mamão do grupo Formosa. Atualmente, o Brasil, embora seja o segundo maior produtor mundial da fruta, possui uma vulnerabilidade genética ao depender quase exclusivamente de sementes importadas de Taiwan, baseadas em tecnologias de cinco décadas atrás. O programa de melhoramento, sediado no Câmpus de Tangará da Serra, busca romper esse ciclo ao criar cultivares adaptadas ao clima local, mais resistentes a pragas e com alto padrão de doçura.
Coordenado pelo professor Willian Krause, o projeto utiliza técnicas avançadas de bioinformática e marcadores moleculares SSR — que funcionam como “etiquetas de DNA” — para prever a performance dos híbridos antes mesmo da primeira colheita. Com um aporte de R$ 353 mil provenientes de uma parceria público-privada com a Feltrin Sementes, a pesquisa une o rigor acadêmico à inovação de mercado. O modelo garante que o conhecimento gerado na universidade resulte em produtos que chegarão à mesa do consumidor, enquanto o licenciamento das variedades gerará royalties para retroalimentar a ciência mato-grossense.
O processo de criação de uma nova cultivar é rigoroso e pode levar de 10 a 12 anos. A metodologia envolve desde o “dialelo genético” (cruzamentos controlados entre populações de elite) até a “peneira de DNA”, que identifica as plantas com genes superiores ainda em estágio jovem. No campo experimental, os pesquisadores realizam a “prova de fogo”, avaliando a resistência e a estrutura das plantas, além do “check-up do fruto”, que analisa o Grau Brix (teor de açúcar) e a firmeza da casca, característica essencial para o transporte e exportação da fruta.
Além do avanço agronômico, a Unemat prioriza a formação de capital humano de alto nível, integrando mestrandos e doutorandos diretamente em ambientes de inovação empresarial. O projeto conta com o apoio fundamental do CNPq e da Fapemat, consolidando Mato Grosso como um polo de referência em genética e melhoramento de plantas. Segundo a Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, essa união entre o setor público e a iniciativa privada é o que permite que a inovação científica cumpra seu papel social de transformar a economia e a mesa da população.
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