Multas por uso irregular do fogo em Mato Grosso somam R$ 360 milhões

Fiscalização do Corpo de Bombeiros reforça política de tolerância zero e reduz focos de calor no estado.

Multas por uso irregular do fogo em Mato Grosso já somam cerca de R$ 360 milhões em 2025, conforme divulgado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso (CBMMT). O valor é resultado de operações de fiscalização realizadas ao longo do ano, especialmente durante o período proibitivo de uso do fogo, entre julho e dezembro, quando a legislação ambiental impõe restrições mais severas para prevenir incêndios florestais.

Conforme apurado pela reportagem, as autuações integram a política de tolerância zero adotada pelo Governo de Mato Grosso, que prioriza a prevenção, a preservação dos biomas e a responsabilização de infratores ambientais. As ações foram conduzidas principalmente em áreas rurais, com apoio de tecnologias de monitoramento remoto e atuação integrada com órgãos ambientais e forças de segurança pública.

Segundo dados oficiais do CBMMT, cerca de 110 mil hectares foram vistoriados nas operações, que resultaram em 13 prisões por crimes ambientais apenas em 2025. As principais frentes de atuação foram a Operação Infravermelho e a Operação Abafa, responsáveis por ampliar o alcance e a eficiência da fiscalização.

Tecnologia e resposta rápida aos focos de calor

A Operação Infravermelho utilizou imagens de satélite e cruzamento de dados geoespaciais para identificar focos de calor em tempo quase real. A partir dessas informações, os proprietários das áreas foram identificados e notificados por telefone para conter imediatamente o fogo, evitando sua propagação.

De acordo com balanço do Corpo de Bombeiros, 64% das ocorrências foram resolvidas em até 24 horas após a notificação, evidenciando a efetividade da estratégia de baixo custo operacional. Já a Operação Abafa concentrou esforços na região Norte do estado, com apoio direto das forças de segurança.

Autoridades destacam impacto ambiental positivo

Em nota oficial, o comandante-geral do CBMMT, coronel BM Flávio Glêdson Vieira Bezerra, afirmou que os números refletem o fortalecimento da fiscalização e da presença operacional em campo. Segundo ele, mesmo após o encerramento das ações, os focos de calor permanecem em níveis baixos, indicando efeito duradouro das operações.

O comandante do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), coronel BM Rafael Ribeiro Marcondes, reforçou que o objetivo das multas por uso irregular do fogo em MT não é apenas punitivo. “O combate aos incêndios começa antes do fogo, com fiscalização, tecnologia e responsabilidade”, destacou.

Queda histórica nos focos de calor

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/BD Queimadas) indicam que, em 2025, Mato Grosso registrou redução de 77,6% nos focos de calor durante o período proibitivo, em comparação com a média histórica desde 1998. O resultado representa o melhor desempenho do estado em quase três décadas e colocou MT na 16ª posição no ranking nacional.

O que diz a lei

  • O uso do fogo sem autorização configura crime ambiental.
  • As multas variam conforme a área afetada e o dano ambiental.
  • Prisões podem ocorrer em casos de reincidência ou agravantes.

 

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