Sete em cada dez pessoas aptas a votar no estado declaram-se pretas ou pardas. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam uma hegemonia demográfica nas urnas de Mato Grosso, onde esse grupo soma 70,06% de todo o eleitorado, contrastando diretamente com o histórico de baixa representatividade política que marcou as últimas décadas na região.
Em números absolutos, o contingente de votantes que se autoidentificam como pardos atinge a marca de 592,2 mil cidadãos (59,85%), ao passo que os eleitores pretos contabilizam 101 mil (10,21%).
A radiografia étnica do eleitorado mato-grossense
A composição do eleitorado no estado completa-se com grupos que, embora numericamente menores ou intermediários, desempenham papel crucial no cenário democrático de Mato Grosso:
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Pardos e Pretos (Maioria): 693.272 votantes reunidos (70,06%).
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Brancos: 268.726 eleitores (27,16%).
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Indígenas: 21.459 votantes (2,17%).
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Amarelos: 6.098 eleitores (0,62%).
Desafios históricos e acesso à representatividade em Mato Grosso
Embora a população negra e parda constitua a maior força votante da região no cenário atual, o acesso e a participação efetiva desse grupo nos espaços de poder foram historicamente restringidos ao longo da trajetória política do país.
Especialistas reforçam que a exclusão dessa parcela da população das instâncias decisórias por décadas é reflexo de barreiras estruturais acumuladas.
Barreiras sociais e racismo estrutural
De acordo com a advogada Alexandra de Moura Nogueira, conselheira da OAB e integrante do Fórum de Mulheres Negras de Mato Grosso, o racismo institucional e as disparidades históricas no acesso à educação, à posse da terra e a empregos qualificados mantiveram esses eleitores afastados da política ativa.
A falta de políticas públicas efetivas de reparação ao longo dos anos acentuou essa sub-representação, um desafio que as novas diretrizes eleitorais e ações afirmativas no estado buscam gradualmente combater.
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