Mato Grosso lidera alta nacional em tentativas de feminicídio

Estado registrou 241 tentativas em 2025, um salto de quase 41% em um ano; taxa por habitante é três vezes maior do que a média brasileira, segundo o Ministério da Justiça

A violência contra as mulheres atingiu patamares críticos e colocou Mato Grosso no topo de um ranking alarmante. Dados oficiais do novo Mapa da Segurança Pública 2026, compilados e divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, revelam que o estado lidera o crescimento proporcional de tentativas de feminicídio em todo o país.

Ao longo de 2025, 241 mulheres sobreviveram a atentados motivados por sua condição de gênero em território mato-grossense. O número representa uma escalada de 40,94% em relação ao ano anterior, quando haviam sido mapeadas 171 vítimas. Na prática, a estatística significa que, a cada mês, cerca de 20 mulheres quase perderam a vida em decorrência da violência doméstica ou do menosprezo à sua vida no estado — 70 casos a mais em apenas 12 meses.

No recorte de crescimento percentual, Mato Grosso é seguido de perto pelo Maranhão, que viu suas tentativas saltarem de 107 para 150 (alta de 40,19%). O relatório nacional toma como base as ocorrências oficiais consolidadas pelos estados via Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp).

Frequência de crimes supera em três vezes a média do país

O levantamento federal joga luz sobre outra métrica grave: a taxa de incidência baseada na proporção populacional. Mato Grosso registrou a segunda maior taxa de tentativas de feminicídio do Brasil, alcançando a marca de 12,46 vítimas para cada grupo de 100 mil mulheres.

O indicador local só ficou abaixo do Amapá (14,88) e superou estados historicamente violentos como Acre (11,12) e Roraima (8,53). O dado mais drástico surge no confronto com o cenário nacional: a média do Brasil ficou em 3,49 ocorrências por 100 mil habitantes, evidenciando que a realidade enfrentada pelas mulheres em Mato Grosso é três vezes mais perigosa do que a média do restante do país.

Casos consumados também avançam

O diagnóstico do Ministério da Justiça confirma que o avanço da agressividade não parou nas ameaças ou tentativas. Os feminicídios consumados — quando o assassinato é de fato cometido — também mantiveram a curva de subida no estado.

O total de mulheres mortas em Mato Grosso subiu de 47 para 53 entre os dois períodos comparados, um incremento de 12,77%. Esse volume de mortes confere ao estado a terceira maior taxa de letalidade feminina do país (2,74 assassinatos por 100 mil mulheres), posicionando-se logo atrás do Acre (3,18) e de Rondônia (2,87). O índice geral brasileiro de homicídios baseados em gênero foi de 1,42 para cada 100 mil mulheres.

Em números absolutos, o Brasil computou 1.548 feminicídios ao longo do último ano, um crescimento de 3,61% se comparado às 1.494 mortes de mulheres notificadas anteriormente. A área técnica do Ministério da Justiça ressalta que os números foram consolidados e extraídos das bases estaduais em fevereiro de 2026 e, por estarem atrelados a inquéritos policiais em andamento, ainda podem sofrer atualizações ou revisões nos próximos meses.

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