Mato Grosso enfrenta um cenário preocupante na saúde do homem, consolidando-se como o segundo estado do Centro-Oeste com mais casos graves de câncer de pênis. Entre 2021 e 2025, a gravidade da doença levou 45 pacientes à mesa de cirurgia para a remoção do órgão, enquanto outras 39 pessoas perderam a vida devido a complicações do tumor. Os números, apresentados pela Sociedade Brasileira de Urologia, expõem uma realidade em que a falta de informação e o tabu ainda cobram um preço muito alto.
No comparativo com os vizinhos regionais, o estado só apresenta índices melhores que os de Goiás, superando as estatísticas do Distrito Federal e de Mato Grosso do Sul tanto em mutilações quanto em óbitos. No plano nacional, o Brasil soma quase 3 mil amputações em quatro anos, com o Sudeste concentrando o maior volume de ocorrências. O que assusta os médicos é que essa é uma patologia evitável, mas que continua avançando silenciosamente em regiões onde o acesso a urologistas e à atenção básica é limitado.
O perfil mais comum dos atingidos pela doença são homens entre 50 e 70 anos. Segundo especialistas como o cirurgião Fernando Leão Costa, o tumor floresce em ambientes de negligência: a falta de higiene íntima básica e a fimose não tratada são os principais vilões. Além disso, a presença do vírus HPV atua como um acelerador para o desenvolvimento do câncer. Muitas vezes, o paciente percebe alterações, mas o receio de buscar ajuda ou a vergonha de expor o problema fazem com que o diagnóstico só aconteça quando o tratamento conservador já não é mais possível.
A prevenção, portanto, passa por mudanças simples de hábito e pela quebra do preconceito. A limpeza diária adequada e o acompanhamento médico de lesões suspeitas são as ferramentas mais eficazes para evitar que um problema simples de resolver se transforme em uma mutilação definitiva. O fortalecimento da rede de saúde no interior também é apontado como essencial para que o diagnóstico precoce chegue antes que a doença atinja estágios irreversíveis.
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