Justiça recua e suspende reintegração de posse em área de conflito agrário em Nova Bandeirantes

Decisão da 2ª Vara Agrária de Cuiabá suspendeu reintegração em área disputada há 20 anos após manifestação do Incra sobre interesse na reforma agrária.

A juíza Adriana Sant’Anna Coningham, da 2ª Vara Cível de Direito Agrário de Cuiabá, suspendeu a reintegração de posse de propriedades rurais em Nova Bandeirantes. A magistrada tornou sem efeito uma ordem expedida anteriormente por ela mesma, após identificar que a decisão havia sido registrada de forma equivocada no sistema judiciário.

A retificação ocorreu na última sexta-feira (10). Em seu despacho, a juíza esclareceu que o documento anterior “não condiz com a redação final” validada e atribuiu o erro ao cansaço, pontuando que a medida foi lançada indevidamente ao final do expediente.

Disputa de duas décadas e interesse do Incra

A área em questão é palco de uma disputa judicial que se arrasta há mais de 20 anos, opondo uma empresa madeireira e grupos de agricultores familiares. O caso ganhou novos contornos com a manifestação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que demonstrou interesse formal na aquisição das terras para fins de reforma agrária.

De acordo com informações da procuradora federal Regina Célia Gomes de Moura, o litígio abrange uma extensão de 3.720 hectares, englobando as fazendas:

  • Rio das Antas I;
  • Rio das Antas II-Matrinchã;
  • Fazenda Acaraí.

Impacto social e suspensão temporária

A reintegração de posse, que estava originalmente agendada para o dia 7 de abril de 2026, já havia sofrido um adiamento de 45 dias por determinação da desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira. Segundo associações que acompanham o processo, a retirada forçada afetaria diretamente pelo menos 17 famílias de pequenos produtores que ocupam e produzem na área.

Com o recuo da magistrada de primeira instância, as famílias permanecem nas terras enquanto o Judiciário avalia a viabilidade da proposta do Incra. A solução negociada via reforma agrária é vista por especialistas como um caminho para pacificar o conflito histórico na região norte de Mato Grosso.

O processo segue em tramitação e aguarda novos pareceres técnicos sobre a avaliação das benfeitorias e o valor das indenizações eventuais.

Reportagem baseada em decisões interlocutórias da 2ª Vara Cível de Direito Agrário de Cuiabá.

Conflitos Agrários: A intervenção do Incra em processos judiciais de longa data costuma ser a última alternativa para evitar despejos em massa. Você acredita que a compra direta de áreas em litígio pelo Governo Federal é a solução mais justa para resolver os conflitos de terra em Mato Grosso?

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