A trajetória que transformou o Cerrado mato-grossense no principal motor do agronegócio brasileiro consolidou-se como a principal referência para o desenho do novo mapa agrícola da América do Sul.
O modelo de desenvolvimento agropecuário de Mato Grosso foi apresentado como espelho internacional durante o fórum “Colômbia: uma potência agrícola que alimentará o mundo”, realizado na última quarta-feira (8), em solo colombiano.
Organizado pelo prestigiado jornal El Tiempo, o evento internacional reuniu pesquisadores, lideranças do setor produtivo e representantes da agroindústria com o objetivo de traçar estratégias para expandir o cultivo de soja e milho na região da Altillanura.
A vasta área geográfica possui características de solo e clima profundamente semelhantes às do Cerrado de Mato Grosso e é considerada altamente estratégica para a segurança alimentar do país vizinho.
O caminho da produtividade: Do solo ácido à alta tecnologia
Convidado para apresentar o case de sucesso brasileiro no painel “Os Altiplanos e o novo mapa agrícola da Colômbia”, o superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Cleiton Gauer, detalhou os passos que permitiram a construção de um sistema produtivo em larga escala.
Durante sua exposição, Gauer destacou que a consolidação do estado como potência global não ocorreu ao acaso, mas sim sustentada por um ecossistema que combinou investimentos em ciência, infraestrutura e ambiente de negócios:
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Inovação no Campo: Processos robustos de correção de solo e uso de mecanização avançada;
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Gestão e Mercado: Empreendedorismo dinâmico e adoção de tecnologias de ponta adaptadas às condições tropicais;
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Estrutura Setorial: Fortalecimento da logística de escoamento e a manutenção de um ambiente de segurança jurídica para os produtores rurais.
🌽 O desafio colombiano: Romper a dependência externa
A imersão na experiência mato-grossense ocorre em um momento decisivo para a economia da Colômbia. O país busca alternativas urgentes para fortalecer sua produção interna de grãos e frear o volume de importações. Atualmente, segundo a imprensa colombiana, a nação ainda compra grande parte do milho e da soja que consome no mercado externo.
Esses dois grãos são os insumos mais críticos para a sustentabilidade da indústria nacional de proteína animal, abastecendo diretamente as cadeias de avicultura e suinocultura.
Lideranças do setor agroindustrial colombiano apontam que os departamentos (estados) de Meta e Vichada, localizados na promissora região da Orinoquia, detêm o potencial necessário para reverter esse cenário de dependência. A meta agora é aplicar a “receita” de Mato Grosso para transformar os altiplanos locais em um novo celeiro de grãos altamente produtivo e competitivo.
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