FICO avança e coloca Mato Grosso no centro da nova logística ferroviária do Brasil

Projeto estratégico ganha força com integração nacional e reforça escoamento da produção do Centro-Oeste

A Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO) segue avançando como uma das principais apostas logísticas do país e consolida Mato Grosso como peça-chave no novo corredor ferroviário nacional. O andamento das obras e as prioridades para os próximos anos foram debatidos em reunião realizada na última quarta-feira (6), reunindo representantes do Governo Federal, da Agência Nacional de Transportes Terrestres, da Infra S.A., do Tribunal de Contas da União, do Programa de Parcerias de Investimentos e do setor ferroviário.

O encontro reforçou o alinhamento institucional em torno da ferrovia, considerada estratégica para ampliar a capacidade logística do Brasil, fortalecer o transporte ferroviário e impulsionar o escoamento da produção agroindustrial — especialmente em estados como Mato Grosso, um dos maiores produtores de grãos do país.

Mato Grosso conectado ao novo corredor logístico

Um dos trechos mais relevantes do projeto é o FICO 1, que liga Mara Rosa, em Goiás, a Água Boa, em Mato Grosso. Há expectativa de que, num segundo momento, os trilhos cheguem a Lucas do Rio Verde, região que concentra boa parte da produção de grãos do Estado. A ferrovia integra o chamado Corredor Ferroviário Leste-Oeste, conectando regiões produtoras do Centro-Oeste aos portos do Norte e Nordeste, com destaque para o Porto Sul, na Bahia.

Na prática, isso significa mais eficiência no transporte de commodities agrícolas, redução de custos logísticos e maior competitividade para o agronegócio mato-grossense no mercado internacional.

Além disso, a FICO se conecta a outras importantes ferrovias, como a Ferrovia Norte-Sul e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), formando uma malha estratégica que redesenha o transporte de cargas no Brasil.

Obras avançam e marco importante se aproxima

O cronograma segue dentro do previsto desde a prorrogação antecipada do contrato, firmada em 2020. Dos 366 quilômetros planejados, cerca de 290 quilômetros devem estar com a infraestrutura concluída até o fim de 2025.

Um dos principais marcos será a entrega da superestrutura do Lote 1, prevista para outubro deste ano, representando o primeiro grande avanço físico do empreendimento.

Durante o encontro, a representante da Vale, Daniella Barros, destacou o caráter colaborativo da iniciativa. Segundo ela, o projeto é resultado da integração entre diferentes instituições e simboliza um avanço importante para o setor ferroviário nacional.

Segurança jurídica e cooperação institucional

A reunião contou com a participação do diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, além de diretores da agência e representantes de entidades como a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

O dirigente ressaltou que o sucesso da FICO está diretamente ligado ao diálogo entre as instituições envolvidas. Para ele, a construção conjunta do projeto garante segurança jurídica, previsibilidade e condições favoráveis para novos investimentos.

Esse alinhamento institucional é visto como fundamental para transformar planejamento em execução, especialmente em obras de grande porte e impacto nacional.

Demanda crescente e impacto no agro

Estudos da Infra S.A. indicam que cerca de 80% da movimentação da ferrovia será composta por granéis sólidos vegetais. A soja deve liderar a demanda, representando aproximadamente 46% do volume transportado, seguida pelo milho (28,5%), fertilizantes (15,3%) e farelo de soja (6,2%).

As projeções apontam crescimento médio anual de 1,9% até 2060, quando o corredor poderá movimentar cerca de 41 milhões de toneladas úteis.

Para Mato Grosso, esses números reforçam o papel estratégico do estado, que depende diretamente de infraestrutura eficiente para escoar sua produção recorde e manter competitividade no cenário global.

Próximos passos

Entre as prioridades para 2026 estão o avanço das obras da FICO 1, o fortalecimento da coordenação entre os órgãos envolvidos e a continuidade dos estudos regulatórios e operacionais.

A expectativa é que a entrega da superestrutura do primeiro lote marque uma nova fase da ferrovia, ampliando a integração logística do país e consolidando Mato Grosso como um dos principais eixos de desenvolvimento econômico do Brasil.

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