Aos 18 anos, Thalitta Dolce ainda cursava Ciência da Computação na Universidade do Estado de Mato Grosso quando enviou o currículo para uma loja de informática. A loja não contratava mulheres na época – e foi justamente essa recusa que a colocou, por indicação, dentro de uma agência de publicidade. Começava ali, sem que ela soubesse, o caminho que a levaria a fundar uma das comunidades mais relevantes da economia criativa autônoma no Brasil.
Da estagiária à empresária

Depois da primeira agência, onde ficou apenas dois meses por falta de pagamento, Thalitta passou por outra empresa, fez estágio obrigatório da faculdade e, na sequência, trabalhou como suporte técnico de sistemas. Foi nessa fase, mais próxima da sua formação em tecnologia, que aprendeu a lidar com pessoas de um jeito que descreve como uma verdadeira escola. Permaneceu vinculada a essa empresa até se formar – e, ao concluir a faculdade, decidiu abrir seu próprio negócio, aos 21 anos.
A primeira empreitada, aberta em sociedade, ficou ativa entre 2016 e 2018. Depois, abriu CNPJ como MEI e, com o tempo, transformou o negócio em Microempresa. Hoje, aos 31 anos, soma uma década de atuação na área criativa – passando por praticamente todas as funções possíveis: design, social media, edição de vídeo e foto, produção, casting, roteiro, copywriting e até programação de sites.
O ponto de virada
A criação da Cedro Criativo não nasceu de uma oportunidade de mercado, mas de um momento difícil. Thalitta presenciou casos de colegas da área que tiraram a própria vida em decorrência da sobrecarga emocional gerada pela transição para a carreira autônoma – motivada, em grande parte, pela falta de reconhecimento financeiro dentro das agências tradicionais. Foi a partir dessas conversas e dessa dor coletiva que surgiu a convicção: a classe criativa precisava de um espaço de suporte e pertencimento.
Uma comunidade, não uma agência
Fundada em 26 de outubro de 2018, a Cedro Criativo se consolidou como uma comunidade aberta – hoje reunindo 137 profissionais criativos autônomos via WhatsApp e Discord -, criada para facilitar indicações, trocas de serviço e apoio mútuo entre quem executa o trabalho criativo, e não entre quem o demanda.
Ao longo do caminho, a marca formou relacionamentos importantes dentro da comunidade, acompanhando artistas que passaram a atuar em projetos para dubladores oficiais da Netflix e agências internacionais que atendem marcas como a Nike, além de reconhecimentos de nomes como Envato e Freepik (hoje Magnific).
Sozinha, mas não isolada
A equipe da Cedro Criativo já chegou a contar com mais de sete pessoas contratadas fixas. Hoje, Thalitta atua sozinha na gestão do negócio – mas segue contando com a própria comunidade para executar as demandas que chegam até ela, um modelo que reflete a essência da marca que construiu: colaboração em vez de estrutura fixa.
CEDRO SPRINT e o momento atual
Com o avanço da inteligência artificial e as transformações na economia criativa, a Cedro Criativo desenvolveu a linha de serviços CEDRO SPRINT, voltada à criação de landing pages e marcas para pequenos e médios negócios, com foco especial em profissionais liberais como advogados, médicos, psicólogos e consultores. A proposta é unir tecnologia e processo criativo colaborativo, sem abandonar o toque humano em cada entrega.
Inspiração e próximos passos
Thalitta cita Bill Gates, Steve Jobs e Washington Olivetto como referências – não pelo que fizeram no presente de suas épocas, mas pela capacidade de visualizar e materializar o futuro. É essa mesma lógica que ela aplica à Cedro Criativo hoje: crescer a comunidade, fortalecer a linha CEDRO SPRINT e, no meio de tudo isso, escrever um livro sobre sua própria trajetória – da estagiária que não conseguia nem ser contratada por ser mulher à empresária que hoje lidera um dos modelos de referência da economia criativa brasileira.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.