A novela em torno do Portão do Inferno ganhou mais um capítulo de tensão entre o Governo de Mato Grosso e o governo federal.
Pela oitava vez, o Estado tenta arrancar do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o aval necessário para tirar do papel a construção de um túnel na MT-251.
A obra é apontada por técnicos como a única saída capaz de acabar com o fantasma dos desmoronamentos na rodovia que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) veio a público rebater boatos de que teria “perdido o prazo” para renovar as licenças. Segundo o órgão, o pedido de delegação já foi protocolado oito vezes em Brasília — sem qualquer resposta positiva do Ibama até agora.
Por que a decisão foi parar em Brasília?
A trava burocrática começou quando a complexidade do problema aumentou. No início, o Estado tinha carta branca do Ibama para fazer apenas obras emergenciais e contenções paliativas na pista.
Contudo, quando os laudos da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra) cravaram que a perfuração do paredão era a única solução definitiva, as regras do jogo mudaram. Por se tratar de uma intervenção pesada dentro do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães — uma área de conservação sob domínio da União —, o Ibama chamou para si a responsabilidade e exigiu que todo o licenciamento tramite exclusivamente na capital federal.
Licitação vazia e tráfego sob alerta
Enquanto a licença ambiental não sai do papel, a Sinfra tenta resolver outro gargalo: a contratação da empreiteira. O primeiro edital para a obra deu “vazio” — sem nenhuma empresa interessada —, o que obrigou o governo a reestruturar o documento para lançar uma nova licitação.
Enquanto a obra não sai, quem passa pelo trecho continua convivendo com o esquema de alerta: a pista é monitorada por câmeras 24 horas por dia e o trânsito é bloqueado sempre que as chuvas apertam no paredão.
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