Denunciou assédio e perdeu o emprego: trabalhador é demitido após relatar importunação em fazenda

O que começou como um relato de violência terminou, para a vítima, com a perda do emprego e do local onde morava. Um trabalhador rural de Boa Esperança do Norte (MT) denunciou ter sido vítima de importunação sexual dentro do alojamento da fazenda onde atuava e, após comunicar o caso aos superiores, acabou desligado da empresa.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado na quinta-feira, 19, a vítima procurou a Polícia Militar no período da tarde relatando que, durante a madrugada, um colega de trabalho com quem dividia o alojamento teria descido da parte superior do beliche e passado a tocá-la por dentro da roupa, além de fazer insinuações de cunho sexual. Segundo o registro oficial, a vítima acordou com os toques, reagiu e mandou que o homem retornasse para sua cama. Ainda assim, ele teria insistido na abordagem, interrompendo apenas após nova reação da vítima.

Na manhã seguinte, o trabalhador comunicou o ocorrido ao superior imediato. Conforme consta no boletim, ele foi orientado a procurar o setor de Recursos Humanos da empresa. O que veio depois, porém, foi inesperado: o funcionário foi informado de que deveria deixar o alojamento e teve o desligamento formalizado.

A Polícia Militar realizou diligências e localizou o suspeito no local de trabalho. Ele foi encaminhado à delegacia e o caso foi registrado como importunação sexual, crime previsto no artigo 215-A do Código Penal Brasileiro, com pena de um a cinco anos de reclusão.

Enquanto o inquérito segue sob investigação, o caso provoca indignação e levanta questionamentos sobre a condução interna da denúncia. A demissão após o relato de um possível crime amplia o debate sobre proteção às vítimas e sobre a responsabilidade das empresas diante de situações de assédio, especialmente em ambientes onde trabalho e moradia se misturam, como nos alojamentos rurais.

Mais do que um caso policial, a história expõe a fragilidade de quem decide denunciar. Entre a violência sofrida na madrugada e a comunicação da dispensa, restou ao trabalhador não apenas o trauma do episódio, mas também a perda da fonte de renda.

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