O sistema de saúde de Mato Grosso enfrenta um desafio crítico no que diz respeito à segurança do paciente. Dados da Organização Nacional de Acreditação (ONA), baseados em registros da Anvisa atualizados nesta semana, revelam que o estado contabilizou 3.137 incidentes durante assistências médicas e hospitalares ao longo de 2025.
O levantamento abrange tanto unidades públicas quanto privadas e acende o alerta para a necessidade de protocolos mais rígidos.
Essas falhas, tecnicamente chamadas de eventos adversos, variam entre danos leves, moderados e graves. No topo da lista de ocorrências em Mato Grosso estão as lesões por pressão (feridas causadas por longos períodos de imobilidade), com 707 casos, seguidas de incidentes com dispositivos como sondas e cateteres, que somaram 674 registros. Quedas de pacientes (202 casos) e erros de identificação (175 casos) também figuram entre os problemas mais comuns.
Um panorama de riscos evitáveis
Especialistas da área de saúde reforçam que a grande maioria desses episódios é evitável. A ocorrência de falhas na administração de medicamentos, erros em procedimentos clínicos ou falhas na proteção do paciente está diretamente ligada à ausência ou ao descumprimento de normas de segurança.
Principais falhas registradas no estado:
- Lesões por pressão: 707 casos
- Incidentes com sondas e cateteres: 674 casos
- Erros com cateter venoso: 218 casos
- Quedas de pacientes: 202 casos
- Falhas de identificação: 175 casos
A nível nacional, o cenário é ainda mais alarmante, com mais de 480 mil notificações. A grande massa desses erros acontece dentro de ambientes hospitalares, onde a complexidade do cuidado é maior, mas clínicas e laboratórios também contribuem para as estatísticas.
Embora os números sejam expressivos, a ONA e a Anvisa alertam para a existência de uma subnotificação. Muitas instituições ainda deixam de alimentar o sistema Notivisa, o que sugere que os dados reais podem ser significativamente maiores. A resistência em registrar os erros muitas vezes nasce do medo de punições, embora o sistema tenha sido criado com o propósito oposto.
O objetivo do registro não é punitivo, mas sim educativo. Ao identificar onde e por que o erro aconteceu, as unidades de saúde podem criar padrões de segurança que evitem a repetição do incidente, protegendo vidas e elevando a qualidade do serviço prestado à população. Em última análise, uma notificação transparente é a ferramenta mais eficaz para evitar óbitos e garantir que o paciente saia do hospital em melhores condições do que entrou.
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