STJ nega recurso e mantém ação penal contra empresária por lavagem de R$ 300 milhões em MT

Decisão da Sexta Turma do STJ rejeita trancamento e mantém ação contra empresária acusada de lavar recursos ligados à sonegação de R$ 300 milhões.

A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter o andamento da ação penal contra a empresária Alessandra Paiva Pinheiro. Ela é acusada de participar de um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal que teria causado um prejuízo estimado em R$ 300 milhões aos cofres de Mato Grosso.

A decisão colegiada, publicada nesta quarta-feira (22), rejeitou o pedido da defesa para o trancamento prematuro do processo. O caso é um desdobramento da Operação Rota Final, que investiga fraudes na concessão do transporte coletivo intermunicipal no estado.

Patrimônio Incompatível e Aeronaves

Alessandra é esposa do empresário Éder Augusto Pinheiro, dono do Grupo Verde Transportes e apontado como o líder da organização investigada. Segundo a denúncia do Ministério Público, entre os anos de 2017 e 2019, a investigada teria adquirido bens luxuosos e movimentado recursos superiores a R$ 3 milhões.

Entre as aquisições que chamaram a atenção das autoridades estão:

  • Imóveis de alto valor: Registrados em nome da empresária;
  • Duas aeronaves: Compradas em um período onde a acusada apresentava renda líquida negativa.

Para os investigadores, esses elementos são indícios claros de ocultação e dissimulação de patrimônio oriundo de atividades ilícitas.

Decisão do STJ

A defesa alegou que a denúncia era genérica e que não haveria justa causa para manter o processo. No entanto, o relator do caso no STJ, ministro Antonio Saldanha Palheiro, destacou que a denúncia descreve de forma suficiente os fatos e atende aos requisitos legais para o prosseguimento da ação.

O magistrado ressaltou que o trancamento de uma ação penal é uma medida excepcional e que, no caso da empresária, existem provas que indicam sua atuação direta na constituição de empresas e no registro de bens de alto valor para esconder a origem do dinheiro.

Próximos Passos

Com a negativa do STJ, o processo retorna para as instâncias competentes em Mato Grosso, onde seguirá a fase de instrução criminal com a análise detalhada de provas e depoimentos das partes envolvidas.

A redação do CenárioMT acompanha os desdobramentos da Operação Rota Final e seus impactos no transporte público do estado. Você acredita que a fiscalização sobre as empresas de transporte intermunicipal em MT melhorou após essas operações? Deixe sua opinião nos comentários.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.