Autonomia e conservação: Povos do Rio Juruena avançam na gestão de seus territórios em Mato Grosso

A iniciativa vai muito além de receber visitantes; trata-se de um modelo focado na valorização da identidade cultural e na proteção ambiental.

Os povos indígenas da bacia do Rio Juruena, no noroeste de Mato Grosso, consolidaram em 2025 passos decisivos para a proteção ambiental e a sustentabilidade econômica de suas terras. Através do projeto Berço das Águas, realizado pela OPAN com patrocínio da Petrobras, os povos Apiaká e Rikbaktsa estruturaram instrumentos de governança que fortalecem sua cultura e garantem o monitoramento de áreas ricas em biodiversidade.

Enquanto os Apiaká celebram a conclusão do seu Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), os Rikbaktsa transformam o turismo de base comunitária em uma ferramenta de preservação e geração de renda, mostrando que a floresta em pé é o ativo mais valioso da região.

Após terem seu território declarado pelo Estado em 2024, os Apiaká finalizaram em 2025 a elaboração do PGTA da Terra Indígena Apiaká do Pontal e Isolados. O documento é um instrumento de luta política que organiza diretrizes sobre saúde, educação, vigilância e soberania alimentar.

Um diferencial do processo foi o diálogo com vizinhos Munduruku, Kayabi e comunidades ribeirinhas, além de órgãos como Funai e ICMBio. Em março de 2026, o plano passará pela validação final na aldeia Pontal. Segundo o cacique Robertinho Morimã, o plano representa a retomada da autonomia sobre o território e a construção de alianças estratégicas para a gestão compartilhada da área.

O povo Rikbaktsa iniciou a implementação prática do turismo de base comunitária em dois de seus três territórios (Japuíra e Escondido). A iniciativa vai muito além de receber visitantes; trata-se de um modelo focado na valorização da identidade cultural e na proteção ambiental.

Destaques da implementação:

  • Gastronomia Tradicional: Oficinas de culinária criaram cardápios baseados em ingredientes locais, unindo segurança alimentar e geração de renda.
  • Observação de Aves: O ornitólogo Dalci Oliveira registrou 221 espécies de aves em poucos dias, incluindo aves raras e ameaçadas, posicionando o território como destino de elite para o turismo científico mundial.
  • Roteiros de Imersão: Foram criadas trilhas por castanhais e percursos fluviais que conectam os jovens às narrativas históricas e cosmológicas de seus ancestrais.
  • Protocolos de Conduta: A criação de normas claras garante que o turismo ocorra com baixo impacto e máximo respeito às tradições indígenas.

O projeto Berço das Águas entra em sua quarta edição em 2026. O foco para o novo ciclo será a intensificação do monitoramento territorial e a proteção contra invasões, além do fortalecimento das cadeias de valor da sociobiodiversidade. Essas ações são essenciais para manter o equilíbrio ecológico de uma região considerada vital para a regulação hídrica e climática de Mato Grosso e da Amazônia.

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