O futebol brasileiro, muitas vezes manchado por cenas de intolerância, deu lugar a um gesto de humanidade nesta semana. O Grêmio localizou o jovem torcedor do Juventude que foi hostilizado por “próprios” torcedores alviverdes no último domingo (22), durante a semifinal do Gauchão, no estádio Alfredo Jaconi. O motivo da agressão verbal? O menino, fã do zagueiro Walter Kannemann, recebeu a camisa das mãos do defensor gremista.
Após as imagens do garoto chorando — assustado com os xingamentos e com a intervenção da segurança que chegou a recolher o uniforme para “protegê-lo” — viralizarem nas redes sociais, a diretoria tricolor agiu rápido. O vice-presidente Antônio Dutra Júnior formalizou um convite oficial para que a família visite o CT Luiz Carvalho e assista a um jogo na Arena como convidados de honra.
O Encontro com o Ídolo
O ponto alto da visita será o encontro reservado com o zagueiro Walter Kannemann. O argentino, conhecido por sua raça em campo, mostrou sensibilidade ao atender o pedido do menino, que exibia um cartaz na arquibancada. Agora, o jovem jaconera poderá agradecer pessoalmente e conhecer os bastidores do clube da capital.
- O incidente: Ocorreu antes da bola rolar no Jaconi. Torcedores do Juventude não aceitaram que um conterrâneo portasse a camisa do rival no setor mandante.
- A abordagem: Seguranças retiraram a família do local e levaram a camisa, devolvendo-a minutos depois em um setor mais seguro.
- A reparação: O Grêmio localizou a família em Caxias do Sul e deve realizar a recepção ainda nesta semana de 25 de fevereiro.
Rivalidade x Violência
O episódio levanta, mais uma vez, o debate sobre a toxicidade nas arquibancadas. O Juventude afirmou em nota que a retirada da camisa e da família teve o intuito de evitar uma agressão física iminente por parte de torcedores exaltados. No campo, o Grêmio avançou para a final nos pênaltis após empate em 1 a 1, mas a vitória maior parece ter vindo do departamento de marketing e responsabilidade social do clube.
Nota do Editor
Atitudes como a do Grêmio e do zagueiro Kannemann humanizam o esporte. O futebol é, antes de tudo, um espaço de sonhos para crianças, independentemente das cores que vestem. Hostilizar uma família por um gesto de carinho de um atleta é um retrocesso que não cabe mais nos nossos estádios.
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