Presépio mantém tradição viva em espaços públicos e nas casas

Montagens em praças, igrejas e residências reforçam o simbolismo do nascimento de Jesus e movimentam turismo, arte e reflexão social no país.

Representações do nascimento de Jesus, esculpidas, desenhadas ou pintadas, seguem ocupando lugares de destaque no Brasil durante o período natalino. Os presépios estão presentes tanto em espaços públicos quanto no ambiente doméstico, reafirmando uma tradição cristã que atravessa gerações.

Em Grão Mogol, no norte de Minas Gerais, o Presépio Natural Mãos de Deus é considerado o maior presépio permanente a céu aberto do mundo. Instalado em uma área de 3,6 mil metros quadrados na Cordilheira do Espinhaço, o conjunto reúne figuras talhadas em pedra e alcança cerca de 30 metros de altura.

A obra foi idealizada pelo empresário Lúcio Marcos Bemquerer, falecido em 2021, e posteriormente doada à arquidiocese de Montes Claros. O local se consolidou como polo de turismo religioso, com crescimento anual estimado em 20% no número de visitantes e impacto direto na geração de empregos no setor cultural e turístico da região.

Outra atração que chama a atenção é o presépio Som, Luz e Movimento, apresentado em Brasília. Com entrada gratuita, a montagem utiliza personagens esculpidos com sistemas eletrônicos que permitem movimento, narração e automação, tecnologia trazida dos Estados Unidos.

Dentro das residências, a tradição também permanece forte. Mesmo em um cotidiano marcado pelo uso intenso de telas, muitas famílias mantêm o hábito de montar o presépio como forma de ressignificar valores religiosos e sociais.

O tema inspirou reflexões contemporâneas, como um texto escrito pelo deputado federal Chico Alencar, interpretado pela atriz Fernanda Montenegro. Na narrativa, o presépio é apresentado como símbolo de denúncia das desigualdades sociais, ao retratar uma família sem terra e sem teto cercada por personagens marginalizados.

A arte visual também tem dado novas leituras à tradição. Em 2025, a artista carioca Cora Azedo produziu um presépio em acrílico sobre tela, com cores vibrantes e anjos negros. A obra integrou uma exposição realizada em João Pessoa, na Paraíba, e marca a segunda incursão da artista no tema, dentro do estilo naif.

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