O Museu da Imagem e do Som (MIS), no Rio de Janeiro, voltou a receber o público após quase 20 anos de obras e expectativas. A reabertura parcial ocorre no prédio localizado na Avenida Atlântica, em Copacabana, marcando um novo momento para o equipamento cultural.
A estreia do espaço ao público acontece com a exposição Arquitetura em Cena – o MIS Copa antes da Imagem e do Som, que apresenta os bastidores da construção do novo museu e antecipa a experiência completa do complexo, prevista para ser concluída no primeiro trimestre do próximo ano.
Projetado a partir de um concurso internacional realizado em 2008, o novo MIS foi concebido pelo escritório Diller Scofidio + Renfro e se destaca pela integração com a paisagem urbana da orla de Copacabana e pelo diálogo com o calçadão desenhado por Burle Marx.
Segundo a curadoria da mostra, o projeto buscou transformar a relação do museu com o espaço público. A ideia foi reinterpretar a calçada icônica da praia como um elemento vertical, criando um percurso que leva o visitante a diferentes níveis do edifício e a um mirante com vista para o mar.
A exposição ocupa o térreo e o mezanino e reúne maquetes, vídeos, croquis e registros das obras. O material apresenta desde a concepção arquitetônica até desafios técnicos, como a construção de um auditório subterrâneo com capacidade para 280 pessoas, localizado a cerca de 10 metros de profundidade.
A obra passou por diferentes fases. A primeira incluiu a demolição da antiga Boate Help, em 2010. A segunda etapa concentrou-se nas fundações e estrutura de concreto, concluídas em 2014. Já a terceira fase, responsável pelos acabamentos, enfrentou paralisações a partir de 2016, durante a crise fiscal do estado, e só recentemente foi retomada com mais intensidade.
Representantes do projeto destacam que o processo de construção reflete também o período recente da história do estado, incluindo crises econômicas e impactos da pandemia. O financiamento do museu envolve recursos públicos e parcerias privadas, inclusive por meio de mecanismos de incentivo cultural.
A Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro considera a abertura da exposição um marco simbólico da retomada do espaço. O futuro MIS deverá abrigar um acervo superior a 1 milhão de itens, com coleções de nomes como Augusto Malta, Carmen Miranda e Pixinguinha.
Além das áreas expositivas, o projeto prevê restaurante panorâmico, café, loja, espaços educativos, áreas de pesquisa, cinema ao ar livre no terraço e ambientes imersivos dedicados à música, à fotografia e à cultura carioca.
Entre os primeiros visitantes esteve uma professora de artes de 93 anos, moradora de Copacabana, que destacou a originalidade do espaço e a integração com a paisagem da cidade.
A exposição também antecipa parte do conteúdo que estará distribuído pelos andares do museu, incluindo experiências ligadas à música brasileira, à história do Rio de Janeiro, à vida noturna e à relação da cidade com o mar. No subsolo, está previsto um espaço dedicado às Noites Cariocas e à história do funk, enquanto o terraço funcionará como mirante e cinema a céu aberto.
Com a abertura parcial, o MIS inicia uma nova fase após anos de obras, consolidando-se como um dos principais projetos culturais em andamento no Rio de Janeiro.
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