A lama do manguezal do Rio Capiberibe, em Recife, será símbolo central no desfile da Grande Rio sobre o movimento Manguebeat, unindo elementos culturais de Pernambuco e da Baixada Fluminense.
Segundo o carnavalesco Antônio Gonzaga, responsável pelo enredo A Nação do Mangue, há confluências entre o ritmo pernambucano e o estilo da escola de samba, incluindo a valorização da transformação social em regiões periféricas.
Nos anos 1990, músicos recifenses fundaram o movimento Manguebeat, combinando guitarras de heavy metal e reggae com ritmos tradicionais como maracatu e coco. Bandas como Mundo Livre S/A e Nação Zumbi usaram a lama dos manguezais como metáfora de resistência e criatividade.
Gonzaga se inspirou na cultura Manguebeat após conversas com seu pai, o jornalista Renato Lemos, e estudando a ligação entre a Baixada Fluminense e os manguezais pernambucanos. A capital de Pernambuco estará representada em seis setores, cinco carros alegóricos e três tripés, com fantasias e alegorias que destacam personalidades recifenses.
Ritmos do Recife
O mestre de bateria Fabrício Machado de Lima, conhecido como Mestre Fafá, coordena 270 ritmistas preparados para tocar surdos, caixas, repiques, agogôs e tamborins, com arranjos inspirados nas inovações do Manguebeat e nos ritmos do frevo e maracatu.
As fantasias da bateria representam o bloco afro Lamento Negro, fundado por Chico Science, reforçando a identidade cultural entre Recife e Duque de Caxias. A letra do samba-enredo, assinada por Ailson Picanço e outros compositores, faz referência à vida nas periferias e manguezais.
A Grande Rio será a penúltima escola a desfilar no último dia do grupo especial do Carnaval do Rio de Janeiro, na terça-feira, 17 de fevereiro.
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