O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (2) que o Brasil segue empenhado em negociações com o governo dos Estados Unidos para evitar a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Segundo o ministro, a orientação do governo federal é manter o diálogo constante e buscar soluções diplomáticas. Ele reforçou que a posição brasileira é de defesa do multilateralismo e de enfrentamento de barreiras comerciais por meio da negociação.
“Nunca abandonar a mesa de negociação”, disse o ministro ao reproduzir diretriz atribuída ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Márcio Elias Rosa, que assumiu a pasta em abril, passou a integrar diretamente as conversas com autoridades norte-americanas. Nesta quinta-feira, ele participou de uma reunião virtual com a Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), ao lado de integrantes do Ministério das Relações Exteriores e da assessoria da Presidência da República.
Após o encontro, o ministro destacou a preocupação com o prazo para avanço das tratativas. Segundo ele, há um limite até meados de julho para evitar a aplicação das medidas tarifárias.
O ministro também mencionou que fatores externos ao debate econômico têm influenciado o ambiente das negociações, embora sem detalhar nomes ou situações específicas.
“Não cabe na mesa de negociação da economia e do comércio bilateral questões ideológicas ou eleitorais”, afirmou.
As declarações foram dadas após participação no 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, no Rio de Janeiro, promovido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
De acordo com o ministro, esta foi a quarta reunião de alto nível entre Brasil e Estados Unidos sobre o tema, além de outros encontros técnicos realizados entre as equipes.
Durante a reunião, também foram discutidos temas como cooperação entre forças policiais no combate ao crime organizado transnacional, lavagem de dinheiro e imigração, além de oportunidades de cooperação em áreas tecnológicas.
No campo comercial, foram abordados assuntos como atração de data centers e proteção de patentes, com o governo brasileiro defendendo que já segue padrões internacionais nessas áreas.
A possibilidade de novas tarifas foi apresentada em meio a uma investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O governo dos EUA aponta práticas consideradas desleais e cita, entre outros pontos, o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro.
Em resposta, autoridades brasileiras contestam as alegações e afirmam que o país mantém regras ambientais e comerciais compatíveis com padrões internacionais.
O governo também argumenta que o desmatamento está sob controle e que há mecanismos de rastreabilidade para evitar irregularidades na cadeia de exportação de madeira.
Segundo integrantes do governo federal, o Brasil busca preservar a relação comercial com os Estados Unidos e evitar impactos econômicos decorrentes de eventuais medidas restritivas.
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