Dados do observatório Copernicus indicam que o Pacífico pode atingir 3°C acima da média, potencializando secas e alterando o regime de chuvas no Brasil.
Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (8) pelo observatório europeu Copernicus, o mundo pode estar na iminência de um dos episódios de El Niño mais intensos de que se tem registro. As projeções indicam que as águas do Pacífico Equatorial podem atingir até 3°C acima da média até o fim de 2026, o que colocaria o fenômeno na categoria de “Super El Niño”, rivalizando com os recordes históricos de 1997 e 2015.
O alerta é especialmente preocupante para estados como Mato Grosso, onde a economia depende diretamente da previsibilidade climática. A sobreposição do aquecimento natural do oceano com a crise climática global cria um ambiente de instabilidade que pode afetar drasticamente o regime de chuvas e as temperaturas no Centro-Oeste brasileiro.
Oceano Pacífico dá sinais de aquecimento extremo
As análises do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF) apontam que uma gigantesca onda de calor marinha já se espalha pelas costas das Américas. Esse cenário potencializa os efeitos do El Niño, que altera ventos e distribui calor de forma anormal por todo o planeta.
Especialistas reforçam que abril de 2026 já terminou como o terceiro mês de abril mais quente da história. Com os oceanos operando perto do limite térmico, o próximo ciclo do fenômeno tende a ser mais devastador do que o registrado entre 2023 e 2024, elevando o risco de eventos extremos em escala global.
Impactos no agronegócio e na economia de Mato Grosso
Para Mato Grosso, o retorno de um Super El Niño acende o sinal vermelho para o planejamento das próximas safras. Historicamente, o fenômeno altera a distribuição de umidade no Brasil, podendo causar períodos de estiagem prolongada no Centro-Oeste e chuvas acima da média no Sul.
Os principais desafios para o produtor rural mato-grossense incluem:
- Atraso no Plantio: A irregularidade das chuvas pode comprometer a janela ideal para a soja e o milho safrinha;
- Quebra de Produtividade: Temperaturas extremas no campo aumentam o estresse hídrico das plantas;
- Custo de Produção: A instabilidade climática pressiona o preço de insumos e seguros agrícolas;
- Segurança Hídrica: Baixos níveis em rios podem afetar tanto a irrigação quanto o abastecimento urbano em cidades como Lucas do Rio Verde e Sinop.
Previsão preocupante para o ano de 2027
Embora o fenômeno comece a se desenhar agora, os climatologistas advertem que o impacto máximo na temperatura média global costuma ocorrer no ano seguinte ao início do ciclo. Por isso, instituições como o instituto Berkeley Earth já projetam que 2027 poderá ser o ano mais quente já registrado na história da humanidade.
O meteorologista Zeke Hausfather avalia que a combinação do calor retido nos oceanos com as emissões de gases de efeito estufa pode levar o planeta a novos recordes de temperatura, superando os marcos estabelecidos em 2024.
Crise climática e segurança alimentar em xeque
Mais do que uma mudança nas previsões do tempo, o Super El Niño coloca em risco a segurança alimentar global. Com as principais regiões produtoras sob ameaça de secas ou enchentes, o preço dos alimentos tende a sofrer fortes oscilações no mercado internacional.
Em Mato Grosso, o maior produtor de grãos do Brasil, qualquer variação negativa na colheita impacta o equilíbrio econômico do estado e as exportações brasileiras. O cenário exige que o setor produtivo invista cada vez mais em tecnologia de monitoramento e práticas agrícolas resilientes ao clima.
O planeta está preparado para o choque?
Eventos extremos já se multiplicam ao redor do mundo, desde ciclones no Pacífico até secas severas na África. O retorno de um El Niño histórico em um planeta já superaquecido é um teste de resistência para as infraestruturas e para a produção de alimentos.
O comportamento do Pacífico nos próximos meses definirá não apenas o clima, mas também o preço da comida na mesa e a estabilidade de diversas regiões vulneráveis. Em Mato Grosso, o acompanhamento diário das atualizações meteorológicas tornou-se peça essencial para a sobrevivência do negócio no campo.
Com informações de Copernicus / ECMWF / Exame.
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