Na cerimônia de abertura do ano do Judiciário em 2026, realizada nesta segunda-feira no Supremo Tribunal Federal, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a atuação das instituições brasileiras diante da tentativa de golpe de Estado julgada recentemente.
Segundo o presidente, o início do novo ano ocorre com confiança renovada, diante do que classificou como o cumprimento do papel constitucional por parte das instituições. Para Lula, o país demonstrou ser mais forte do que ações golpistas e traições à ordem democrática, mesmo após enfrentar pressões e ataques externos ao longo de 2025.
O presidente afirmou que o Brasil respondeu aos desafios com base no direito internacional, na força institucional e na legitimidade conferida pelo voto popular, reforçando que a soberania nacional e a democracia não se submetem a intimidações.
Lula também abordou temas como o combate à desinformação nas eleições de 2026, a continuidade de operações da Polícia Federal contra o crime organizado e o lançamento de um pacto nacional de enfrentamento ao feminicídio.
Trama golpista
Durante o discurso, o presidente ressaltou que o Judiciário tem atuado como guardião da Constituição e do voto popular, negando qualquer busca por protagonismo ou interferência em atribuições de outros poderes.
Lula lembrou que ministros do Supremo enfrentaram pressões e ameaças ao longo do processo, mas mantiveram o compromisso constitucional. Para ele, o julgamento representou um marco histórico, fortalecendo a democracia após a tentativa de ruptura liderada por autoridades e militares do governo anterior.
O presidente afirmou que a condenação dos envolvidos envia uma mensagem clara de que futuras tentativas de ruptura democrática serão punidas com o rigor da lei.
Feminicídios
Outro ponto destacado foi o Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, que deve ser formalizado entre os Três Poderes. Lula defendeu que a iniciativa ultrapasse o âmbito institucional e envolva toda a sociedade.
O presidente enfatizou a necessidade de conscientização dos homens e da educação dos meninos, reforçando que nenhuma forma de violência contra mulheres e meninas pode ser tolerada, seja no mundo real ou no ambiente digital.
Eleições de 2026
Ao tratar do próximo pleito, Lula alertou para os riscos do uso indevido da tecnologia nas eleições de 2026 e defendeu a atuação do Tribunal Superior Eleitoral no combate a abusos.
Ele citou práticas como disparos em massa de notícias falsas, manipulação de algoritmos, uso de influenciadores para ataques políticos e a aplicação de Inteligência Artificial para falsificação de conteúdos, criando cenários enganosos.
O presidente afirmou que a Justiça Eleitoral precisa agir com rigor, rapidez e precisão, utilizando ferramentas modernas para garantir que a vontade popular prevaleça.
Carbono Oculto
Lula também mencionou a operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que desarticulou esquemas de lavagem de dinheiro do crime organizado envolvendo postos de combustíveis e empresas do setor financeiro.
Segundo o presidente, as investigações chegaram a financiadores do crime organizado que atuam em camadas privilegiadas da sociedade. Ele afirmou que as apurações seguem em andamento e que todos os responsáveis serão responsabilizados, independentemente de sua posição ou patrimônio.
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