Pescadores denunciam crise na pesca no rio Cuiabá

Profissionais relatam falta do seguro defeso, impactos ambientais e dificuldades para trabalhar no rio Cuiabá.

Como sobreviver da pesca sem o seguro defeso? Essa foi a principal pergunta levantada por pescadores profissionais e artesanais durante encontro realizado em Santo Antônio de Leverger, na região do rio Cuiabá. As reclamações surgiram durante a 3ª Expedição Fluvial do Rio Cuiabá, que reuniu trabalhadores da pesca, autoridades públicas e representantes ambientais.

O encontro ouviu pescadores ligados à Colônia Z8 e discutiu os desafios enfrentados pela categoria, incluindo dificuldades financeiras, denúncias ambientais e problemas relacionados à fiscalização da atividade pesqueira.

Falta do seguro defeso preocupa pescadores

Um dos principais temas foi a ausência de previsão para pagamento do seguro defeso, benefício que garante renda aos trabalhadores durante o período de reprodução dos peixes, quando a pesca é restrita.

A presidente da Colônia Z8 destacou que a categoria enfrenta um momento de incerteza financeira. Segundo ela, a união dos pescadores é essencial para buscar soluções diante da falta do benefício.

Sem o pagamento do auxílio da pesca, muitos profissionais relatam dificuldades para manter as contas em dia. Alguns pescadores afirmam que recorreram a empréstimos acreditando que receberiam o seguro defeso, o que acabou aumentando o endividamento.

Denúncias ambientais no rio Cuiabá

Durante a reunião, pescadores também apresentaram denúncias sobre possíveis impactos ambientais no rio Cuiabá. Entre os relatos estão casos de morte de peixes e suspeitas relacionadas ao uso de dragas em áreas do rio.

Um pescador que atua na atividade há décadas afirmou que encontrou diversos peixes mortos após a instalação de equipamentos de dragagem em uma baía da região.

Além disso, trabalhadores da pesca relataram preocupação com:

  • desmatamento nas margens do rio;
  • instalação de tablados e estruturas particulares;
  • dificuldade de acesso às áreas de pesca tradicionais.

Segundo os relatos, a presença dessas estruturas limita a circulação dos pescadores e reduz os pontos disponíveis para a atividade pesqueira.

Fiscalização e regras da pesca

Representantes de órgãos ambientais explicaram que a fiscalização busca cumprir a legislação e combater crimes ambientais. As autoridades destacaram que ações geralmente ocorrem após denúncias ou flagrantes de irregularidades.

Também foi orientado que denúncias sobre estruturas instaladas em margens de rios devem ser encaminhadas aos órgãos competentes para avaliação.

As queixas apresentadas durante a expedição serão analisadas por equipes técnicas da Secretaria de Estado de Meio Ambiente.

Lei do Transporte Zero gera críticas

Outro ponto de insatisfação entre os pescadores foi a chamada Lei do Transporte Zero, que restringe o transporte de pescado no estado. De acordo com trabalhadores da pesca, a regra tem afetado diretamente a renda das famílias que dependem da atividade.

Representantes da categoria afirmam que a realidade da pesca em Mato Grosso apresenta desafios específicos quando comparada a outros estados do país.

Expedição busca ouvir comunidades ribeirinhas

A Expedição Fluvial do Rio Cuiabá tem como objetivo percorrer comunidades ribeirinhas para ouvir pescadores e identificar problemas ambientais ao longo do rio. Entre os temas discutidos estão o seguro defeso, a fiscalização da pesca e possíveis impactos ambientais.

Durante as visitas, também são registradas denúncias relacionadas ao uso de dragas, ocupação irregular das margens e outros fatores que possam afetar a atividade pesqueira.

E você, o que pensa sobre os desafios enfrentados pelos pescadores do rio Cuiabá? Comente sua opinião!

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