A eficiência e as gargalos crônicos do Sistema Único de Saúde (SUS) na faixa de fronteira e no interior do Estado voltaram a pautar as ações fiscalizatórias do Poder Legislativo. A Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou uma série de visitas técnicas nesta terça-feira (26) na Região Oeste. O objetivo principal foi inspecionar a infraestrutura hospitalar, auditar os serviços contratados e ouvir as demandas de pacientes e servidores da ponta do sistema.
A blitz parlamentar mapeou a realidade de duas das principais estruturas assistenciais da região: o Hospital Regional de Cáceres e a Santa Casa de Pontes e Lacerda. Os dados e relatos colhidos pelas equipes técnicas vão compor um relatório detalhado de auditoria que será encaminhado à Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), cobrando providências urgentes sobre o travamento na regulação de leitos.
Cáceres lida com pressão migratória da Bolívia e transição no antigo Hospital São Luiz
A primeira parada da comitiva ocorreu em Cáceres, no Hospital Regional Unidade 2 — estrutura que operava sob a bandeira do antigo Hospital São Luiz e que foi recentemente encampada e integrada de forma direta à rede gerida pelo Governo do Estado. Os deputados vistoriaram alas sensíveis da unidade, incluindo as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatal e pediátrica, a maternidade e os blocos de clínica cirúrgica.
O presidente da comissão, deputado Dr. Eugênio, acompanhado dos parlamentares Dr. João, Paulo Araújo e Sebastião Rezende, destacou que a unidade enfrenta um desafio singular de soberania e assistência: por estar situada em região de fronteira, a estrutura absorve não apenas a demanda de dezenas de municípios integrados de Mato Grosso, mas também realiza atendimentos de urgência, emergência e partos de cidadãos vindos de cidades da Bolívia, o que pressiona o orçamento e o teto físico de ocupação hospitalar.
Os principais eixos de monitoramento identificados durante a blitz incluem:
- Retenção na Regulação: Demora acentuada na liberação de vagas de alta complexidade em Pontes e Lacerda;
- Pressão de Fronteira: Impacto do atendimento a pacientes estrangeiros na infraestrutura do SUS em Cáceres;
- Verificação de Contratos: Auditoria técnica nos índices de ocupação e serviços terceirizados nas alas cirúrgicas;
- Próximas Vistorias: Extensão do cronograma de fiscalização para os polos de Sinop e Sorriso nas próximas semanas.
Santa Casa de Pontes e Lacerda opera no limite e deputados cobram novo hospital
No período da tarde, os deputados se deslocaram até a Santa Casa de Pontes e Lacerda, onde o cenário de saturação estrutural gerou cobranças contundentes. Usuários do sistema relataram longas horas de espera por transferências e cirurgias eletivas devido à escassez de leitos de UTI. O deputado Valmir Moretto usou a oportunidade para endossar a necessidade de aceleração nas obras do futuro Hospital Regional de Pontes e Lacerda, projeto que tramita junto ao Palácio Paiaguás como alternativa para descentralizar o atendimento no Vale do Guaporé.
A comissão parlamentar defendeu que a Sesa-MT aplique ferramentas de inteligência para otimizar o Sistema de Regulação (Sisreg), reduzindo a burocracia que hoje atrasa o transporte de pacientes em estado grave para centros de maior complexidade. A varredura nas condições de saúde pública continuará ativa ao longo de todo o primeiro semestre de 2026, funcionando como um termômetro para os investimentos estaduais previstos na Lei Orçamentária Anual.
| Raio-X da Fiscalização da Saúde | Diagnóstico e Demandas da Região Oeste (2026) |
|---|---|
| Unidade Inspecionada (Cáceres) | Hospital Regional Unidade 2 (Antigo São Luiz) |
| Gargalo Crítico (Pontes e Lacerda) | Demora crônica na regulação e falta de leitos de UTI |
| Encaminhamento da ALMT | Criação de relatório técnico com recomendações ao Executivo |
| Solução Estratégica Defendida | Avanço na construção do novo Hospital Regional do Oeste |
A fiscalização da Comissão de Saúde da ALMT nos hospitais de Cáceres e Pontes e Lacerda traz à tona um dilema histórico da Saúde Pública em Mato Grosso, evidenciando que a estadualização de hospitais e as promessas de novas obras são importantes, mas não resolvem de imediato o drama diário de pacientes que esperam semanas por uma vaga de UTI devido a uma regulação lenta e ineficiente. Você considera que o Governo de Mato Grosso deveria suspender temporariamente novos investimentos de embelezamento urbano no interior para injetar 100% dos recursos excedentes na conclusão acelerada do Hospital Regional de Pontes e Lacerda e na contratação imediata de médicos especialistas, ou acredita que a estrutura atual é suficiente e o problema real está exclusivamente na má gestão burocrática e na falta de organização do sistema de regulação de leitos? Participe do debate e deixe seu comentário abaixo.
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