A escalada do conflito no Oriente Médio, que provocou a disparada do petróleo e impulsionou a soja na Bolsa de Chicago (CBOT), trouxe um alento limitado para o produtor de Mato Grosso. Apesar da valorização internacional da oleaginosa, o mercado interno brasileiro — e especialmente o mato-grossense — vive um cenário de cautela e vendas retraídas em pleno pico de colheita da safra 2025/26.
O principal “vilão” para o bolso do agricultor local são os prêmios de exportação negativos nos portos. Na prática, isso significa que o diferencial pago sobre o preço de Chicago está desfavorável, anulando parte dos ganhos obtidos com a alta do barril de petróleo e do óleo de soja no exterior.
Entenda o cenário: Desde o início de março, o petróleo subiu 54% após ataques entre EUA/Israel e o Irã. Esse movimento puxou o óleo de soja (+5,58%), mas o reflexo no preço disponível em Mato Grosso foi barrado pela logística e pela pressão da oferta durante a colheita.
Impacto em Mato Grosso: O Desafio dos Prêmios
Em cidades como Lucas do Rio Verde, Sorriso e Nova Mutum, o ritmo de comercialização segue lento. O produtor, capitalizado ou à espera de melhores margens, segura o grão no armazém. Confira os fatores que travam o mercado estadual:
| Fator | Impacto no Estado |
|---|---|
| Prêmios Negativos | Desestimulam a exportação imediata, forçando o preço para baixo no interior. |
| Pico da Colheita | A grande oferta de produto disponível no mercado interno pressiona as cotações locais. |
| Custos Logísticos | A alta do petróleo encarece o frete rodoviário, reduzindo o valor líquido recebido pelo produtor (Farm Gate). |
Analistas indicam que o mercado de Mato Grosso só deve ganhar fôlego real se houver uma combinação de dólar alto com a recuperação dos prêmios nos portos de Santos (SP) e Miritituba (PA). Até lá, a estratégia do produtor mato-grossense deve seguir na “retranca”, comercializando apenas o necessário para custear a operação e aguardando janelas de oportunidade que reflitam a real tensão geopolítica global.
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