Safra recorde mantém fretes de grãos em alta mesmo após pico da colheita

A perspectiva de uma safra histórica no Brasil faz com que os preços do transporte rodoviário de produtos agrícolas sigam em patamares elevados nas principais rotas do país. É o que mostra o Boletim Logístico de junho, divulgado nesta terça-feira (30) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Mesmo com o encerramento do período mais intenso de escoamento da primeira safra, como a soja, os valores não caíram como era esperado. Para o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, o motivo é claro: a produção recorde mantém a demanda aquecida.

“Era prevista uma redução nos preços nesse momento, já que o movimento da primeira safra diminui e o da segunda safra ainda não chega ao auge. Mas a produção de soja cresceu 8,8 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior, e isso segura os valores em níveis próximos aos registrados no pico da safra, entre fevereiro e março”, explica.

Cenário por região

Em Mato Grosso, principal estado produtor do país, os preços ficaram praticamente estáveis em comparação com o mês anterior, mas seguem altos, acompanhando o mesmo cenário observado no início do ano.

Em Mato Grosso do Sul, a demanda também permaneceu firme, mesmo com a diminuição natural do volume movimentado após a colheita da safra de verão. O fluxo constante de negociações e exportações sustentou os valores.

Já no Distrito Federal e no Maranhão, houve alta moderada. No estado do Nordeste, a colheita avançou para 92% da área de soja e 27% da de milho em maio, com forte movimento de transporte por estradas e trens, com destino ao mercado interno e ao Porto do Itaqui. Os fretes subiram cerca de 1,2% em relação a abril.

No Paraná, os custos se mantiveram pressionados por conta do preço elevado do diesel, que chegou a média de R$ 6,38 por litro, e pela concentração de demanda nas rodovias.

Em contrapartida, em Goiás, Bahia, Piauí e São Paulo, os preços recuaram. Nessas regiões, o período de entressafra, a queda nas exportações de soja e a redução do custo do combustível ajudaram a aliviar a pressão sobre os valores praticados.

Exportações seguem em crescimento

Os números de embarques reforçam a movimentação intensa do setor. Até maio deste ano, as exportações de milho somaram 7,5 milhões de toneladas — alta de 23% em comparação com o mesmo período de 2025. Os portos do Arco Norte foram responsáveis por 33,5% desse volume, seguidos por Santos (26,5%), Rio Grande (19,5%) e Paranaguá (9,6%).

Para a soja, os embarques chegaram a 55,1 milhões de toneladas no acumulado do ano. Novamente, o Arco Norte liderou com 38,5% do total, logo atrás de Santos, com 36,8%.

Importações de fertilizantes e riscos climáticos

O levantamento também mostra que as compras de fertilizantes feitas pelo país em maio foram as menores para o mês desde 2022. De janeiro a maio, foram importadas 15,05 milhões de toneladas, volume ligeiramente menor que os 15,27 milhões registrados no mesmo período de 2025.

Apesar do cenário favorável para a produção, a Conab alerta para riscos que podem interferir nos próximos ciclos: o custo elevado dos insumos, a instabilidade no Oriente Médio e a confirmação do retorno do fenômeno El Niño, que deve ganhar força no segundo semestre, alterando temperaturas e o regime de chuvas em diversas regiões produtoras.

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