O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, afirmou nesta segunda-feira (30) que a população iraniana tem pressionado o governo a não aceitar propostas de negociação dos Estados Unidos. Segundo ele, há desconfiança crescente em relação às intenções norte-americanas.
Em entrevista, o diplomata declarou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria “negociando consigo mesmo” e classificou como “piada mundial” a ideia de diálogo entre os dois países.
As declarações ocorrem em meio à retomada de tensões. Trump voltou a mencionar a existência de negociações com um suposto “novo regime” no Irã e reiterou ameaças de ataques a infraestruturas estratégicas, caso o país não adote determinadas medidas no Estreito de Ormuz.
De acordo com o embaixador, episódios recentes reforçam a desconfiança iraniana. Ele citou conflitos ocorridos durante períodos de negociação, incluindo ataques registrados em momentos considerados decisivos para o avanço diplomático.
“Há um ciclo de guerra, cessar-fogo, negociação e nova guerra que não pode ser aceito por um país independente”, afirmou. Segundo ele, a opinião pública no Irã tem desempenhado papel central ao pressionar o governo por uma postura mais firme.
O diplomata também comentou os impactos internos após semanas de conflito. Ele destacou que a população tem se mobilizado nas ruas em defesa da soberania nacional, mesmo diante de dificuldades causadas pela guerra e pelas sanções internacionais.
Ghadiri ainda criticou ações militares atribuídas a Estados Unidos e Israel, incluindo ataques a universidades e centros civis, e afirmou que o país responde de forma “controlada”, mas com capacidade de causar danos significativos.
Sobre grupos aliados no Oriente Médio, o embaixador rejeitou a classificação de que atuam como representantes do Irã. Segundo ele, essas organizações são independentes e atuam em defesa de seus próprios interesses nacionais.
Por fim, o diplomata avaliou a cobertura da imprensa brasileira como, em geral, equilibrada, mas criticou pontualmente conteúdos que, segundo ele, não refletem os princípios do jornalismo em contextos de guerra.
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