Imprensa registra queda global de liberdade até em democracias

Relatório recente aponta deterioração contínua da liberdade de imprensa no mundo, com impacto inclusive em países democráticos.

Um relatório divulgado nesta quinta-feira (30) aponta que a liberdade de imprensa atingiu o nível mais baixo dos últimos 25 anos no mundo. O levantamento, produzido por uma organização internacional dedicada à defesa do jornalismo, indica uma tendência contínua de queda nas condições para o exercício da atividade.

De acordo com o estudo, a redução não é pontual, mas resultado de um processo gradual. A pontuação média global vem caindo ao longo dos anos, refletindo um cenário de deterioração estrutural no ambiente jornalístico.

O fenômeno não se restringe a regimes autoritários. Segundo especialistas, países democráticos também apresentam retrocessos significativos, com aumento de práticas que dificultam o trabalho da imprensa, como assédio, hostilidade e deslegitimação de jornalistas.

No contexto global, o Brasil aparece como exceção, tendo avançado posições no ranking desde 2022. Ainda assim, a maior parte dos países enfrenta desafios crescentes.

Entre os fatores que explicam a queda estão a disseminação da desinformação, o aumento da violência contra profissionais da imprensa e discursos que tratam jornalistas como adversários. Esse ambiente contribui para uma percepção generalizada de que exercer o jornalismo se tornou mais difícil e arriscado.

Especialistas destacam que a liberdade de imprensa não deve ser vista apenas como um direito dos profissionais da área, mas como um direito essencial da sociedade. O acesso a informações confiáveis, independentes e plurais é considerado fundamental para a tomada de decisões e para a participação na vida pública.

Nas Américas, o cenário também é heterogêneo, com agravamento em diversos países. Casos de violência, restrições institucionais e instabilidade política têm impactado diretamente o trabalho da imprensa em várias nações do continente.

Para reverter a tendência, a recomendação é que governos adotem medidas mais ativas. Além de evitar interferências, é necessário implementar políticas públicas que fortaleçam o jornalismo, incluindo mecanismos de proteção, incentivos à diversidade na mídia e regulação de plataformas digitais e tecnologias emergentes.

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