A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quarta-feira (6), a segunda fase da Operação Hidra. O alvo principal é um servidor da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) suspeito de integrar um esquema de falsificação de documentos de identidade para beneficiar membros de uma facção criminosa de atuação nacional.
Os mandados de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Criminal de Várzea Grande, foram cumpridos na residência do servidor e em seu local de trabalho, no Instituto Médico Legal (IML) em Cuiabá, com o acompanhamento da Corregedoria da Politec.
Papiloscopista sob Investigação
O investigado atua como papiloscopista, cargo estratégico responsável pela emissão de documentos oficiais e identificação civil. Segundo a Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, o servidor facilitava a emissão de RGs ideologicamente falsos, permitindo que criminosos foragidos circulassem livremente.
Além da apreensão de documentos e equipamentos, os agentes localizaram na residência do servidor:
- Contrabando: Canetas emagrecedoras sem registro legal;
- Substâncias Proibidas: Anabolizantes de origem duvidosa;
- Medidas Judiciais: O servidor está proibido de manter contato com outros investigados e tem restrição de circulação.
Elo com Facção Paulista
A investigação teve início em julho de 2025, após a prisão de um homem conhecido como “Perfume” ou “Kaiak”. Apontado como integrante de uma facção paulista, ele estava foragido há 12 anos e utilizava identidades falsas produzidas em Mato Grosso para ocultar sua verdadeira face e a de sua família.
O aprofundamento do caso revelou um intermediário de 66 anos que fazia a ponte entre o crime organizado e o servidor público. Esse intermediário, preso na primeira fase da operação em agosto de 2025, possuía múltiplas identidades falsas e operava o esquema de fraude documental dentro dos sistemas do Estado.
Integridade do Sistema
A titular da unidade especializada, delegada Eliane da Silva Moraes, ressaltou que a operação é fundamental para “preservar a integridade dos sistemas de identificação do Estado”. A Polícia Civil agora analisa os dados coletados nos dispositivos apreendidos para identificar quantos documentos falsos foram emitidos pelo servidor e quem são os outros criminosos beneficiados pelo esquema.
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