O Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal e a Receita Federal deflagraram nesta segunda-feira (14) a Operação Solo Sagrado com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada na extração clandestina de ouro, lavagem de capitais e na inserção de minério ilegal no mercado formal a partir da Terra Indígena Sararé, no estado de Mato Grosso.
De acordo com as investigações, que contam com o acompanhamento do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o esquema estruturado contava com forte suporte logístico e financeiro, movimentando cerca de R$ 20,5 milhões por meio de um único núcleo financeiro entre os anos de 2022 e 2025.
Lavagem de Ouro, Cooperativas e Mandados Judiciais
A apuração técnico fiscal revelou que o ouro extraído de forma ilegal era adquirido de garimpeiros ou intermediários e posteriormente acobertado por cooperativas e empresas de fachada para burlar os órgãos de controle, simulando uma origem lícita:
- Movimentação Financeira: Além dos milhões movimentados pelo núcleo principal, os investigadores identificaram mais de R$ 3,5 milhões em recebimentos oriundos de instituições de pagamento e empresas de serviços digitais usadas para pulverizar os recursos ilícitos.
- Ordens Judiciais: Nesta fase, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva, além do bloqueio e sequestro de bens, valores e a quebra dos sigilos bancário e fiscal autorizados pela Justiça.
A infraestrutura do grupo criminoso envolvia maquinário pesado, como escavadeiras hidráulicas, caminhões prancha e suprimentos logísticos para manter as frentes de lavra clandestina. As autoridades federais e o Gaeco continuam as diligências em Mato Grosso para identificar novos participantes e recuperar o patrimônio obtido com a exploração mineral ilegal.
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