A pressão exercida sobre jurados resultou no adiamento de um julgamento de homicídio e levou a Polícia Civil a deflagrar uma operação para apurar a tentativa de interferência no Tribunal do Júri em Mato Grosso. A investigação aponta que as ameaças foram decisivas para que integrantes do conselho de sentença solicitassem dispensa, inviabilizando a realização da sessão.
Diante do impacto direto no andamento do processo judicial, a Polícia Civil cumpriu, nesta terça-feira (23), mandados judiciais nas cidades de Porto Esperidião e Glória D’Oeste. A ação integra a Operação Conselho de Sentença, que busca esclarecer a suposta coação com o objetivo de impedir o julgamento de um crime de homicídio.
Durante a operação, foram executados dois mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão. Segundo informações da Polícia Civil, a ofensiva teve como foco pessoas suspeitas de atuar diretamente ou de dar suporte às intimidações que teriam atingido jurados convocados para o julgamento.
Um dos principais materiais recolhidos pelos investigadores foi o telefone celular de um dos alvos da operação. O aparelho será analisado porque pode conter elementos que conectem o investigado a outros suspeitos envolvidos em uma tentativa de homicídio registrada em 2024, caso que também está sob apuração.
De acordo com a polícia, os suspeitos relacionados a essa tentativa de homicídio seguem foragidos. As informações levantadas até o momento indicam que eles podem ter ligação com uma facção criminosa com atuação na região, o que reforça a gravidade das ameaças feitas aos jurados e o potencial de intimidação sobre o sistema de Justiça.
A apuração procura identificar como as ameaças foram transmitidas, quem seriam os autores diretos e se houve articulação para constranger os jurados de forma organizada. Os investigadores também analisam se a coação teve início antes da data prevista para o julgamento ou se ocorreu às vésperas da sessão, fator que teria contribuído para o pedido de dispensa.
A Operação Conselho de Sentença segue em andamento e novas diligências não estão descartadas. Conforme a Polícia Civil, o objetivo é reunir provas suficientes para responsabilizar todos os envolvidos e garantir que o julgamento do homicídio possa ser remarcado em condições de segurança. O caso continua sob investigação, e os próximos passos dependem da análise do material apreendido e da localização dos suspeitos foragidos.
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