Mato Grosso sustenta fretes elevados e antecipa pressão altista no início de 2026

O mercado de fretes rodoviários apresentou, em dezembro, um comportamento heterogêneo entre as regiões do país, mas dentro de um cenário predominantemente de estabilidade nas cotações. Os ajustes, pontuais de alta ou de queda, refletiram a intensidade da demanda local, os níveis de estoque e os custos operacionais. Em boa parte do Brasil, a menor movimentação de grãos típica do fim de ano contribuiu para um ambiente mais equilibrado, enquanto a maior oferta de caminhões ajudou a conter pressões altistas, mesmo em regiões onde houve aumento no volume transportado.

Nesse contexto, Mato Grosso voltou a se destacar como o principal termômetro do mercado nacional de fretes. No estado, as cotações permaneceram em patamar elevado na comparação anual, sustentadas por estoques ainda altos, pelo volume expressivo da produção e pela expectativa de uma safra recorde de soja. A proximidade do pico da colheita já começa a influenciar o mercado, com agentes projetando intensificação da demanda por transporte e perspectiva de alta gradual dos fretes nos próximos meses, especialmente a partir do avanço do escoamento da produção.

Em outras regiões, o comportamento foi mais contido. Na Bahia e no Maranhão, a redução dos estoques e o menor fluxo de grãos mantiveram os fretes estáveis, com exceções pontuais de recuo em rotas menos demandadas. No Distrito Federal, mesmo com menor demanda agrícola, os fretes registraram aumentos entre 1% e 4%, pressionados principalmente pelos custos do diesel e pelo ambiente financeiro mais restritivo.

Em Goiás e Mato Grosso do Sul, a maior movimentação de milho e soja, sobretudo com destino à exportação, sustentou o mercado, resultando em leve valorização ou estabilidade das cotações, apesar da maior oferta de caminhões. Já no Paraná e em São Paulo, as variações foram discretas, refletindo o ritmo mais lento do fim de ano. No Piauí, por outro lado, predominou forte retração da demanda, com queda média dos preços superior a 9%.

Para o início de 2026, a expectativa é de manutenção do equilíbrio no curto prazo, mas com atenção especial ao comportamento de Mato Grosso, que deve puxar o mercado nacional. A tendência é de aquecimento gradual a partir de janeiro e maior pressão altista em fevereiro, acompanhando o avanço da colheita da soja, o aumento da demanda por transporte e a intensificação do escoamento da produção agrícola.

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