Em um intervalo de apenas um mês, Mato Grosso consolidou-se como um dos epicentros de um grave problema de saúde pública: a contaminação por metanol. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) confirmam que quatro pessoas perderam a vida após ingerirem bebidas adulteradas, colocando o estado no topo do ranking de letalidade no país. O fenômeno, concentrado no mês de novembro, atingiu moradores de diferentes regiões, evidenciando a capilaridade da circulação de álcool impróprio para consumo humano.
O avanço silencioso da substância atingiu homens e mulheres em diversas faixas etárias. O histórico das vítimas revela um padrão preocupante: a maioria consumiu uísque dias antes de apresentar sintomas severos. Em Sorriso, uma mulher de 42 anos faleceu após 18 dias de luta no hospital; em Cuiabá, um morador de Nova Brasilândia não resistiu mesmo após ser transferido para suporte especializado.
Um ponto crítico apontado pelo monitoramento é a administração do antídoto (etanol farmacêutico). Das quatro vítimas fatais, duas não chegaram a receber o tratamento a tempo, o que reforça a dificuldade de diagnóstico precoce, já que os sinais clínicos podem ser mascarados pelo mal-estar comum da embriaguez. Atualmente, o estado ainda investiga três pacientes que permanecem sob suspeita, incluindo jovens em estado grave.
Ofensiva contra o envasamento clandestino
A resposta das autoridades de segurança e vigilância sanitária resultou no fechamento de estruturas de falsificação. Operações em Várzea Grande e Itanhangá retiraram de circulação centenas de garrafas que seriam comercializadas ilegalmente.
O foco das polícias Civil e Militar tem sido desmantelar fábricas que utilizam o metanol — um álcool industrial altamente tóxico — como substituto barato do etanol em bebidas destiladas.
Embora o Ministério da Saúde tenha encerrado a fase de monitoramento emergencial nacional, as ações de fiscalização em Mato Grosso continuam intensificadas para impedir o surgimento de novos focos.
Balanço e monitoramento
| Status dos Casos em MT | Quantidade |
| Óbitos confirmados | 4 |
| Casos em investigação | 3 |
| Casos confirmados (total) | 6 |
| Notificações totais | 17 |
A nível nacional, o Brasil acumulou 22 mortes confirmadas em um curto período, com quase 900 notificações registradas.
Com o fim da “sala de situação” do Governo Federal, a responsabilidade de vigilância agora recai totalmente sobre os órgãos estaduais e municipais, que devem manter o alerta para qualquer suspeita de venda de bebidas sem procedência garantida.
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