O estrangulamento logístico de rotas aéreas transfronteiriças e a desarticulação de consórcios internacionais voltados à importação de entorpecentes pautaram a ofensiva da Justiça Federal. A Polícia Federal (PF) confirmou na manhã desta sexta-feira (26 de junho) a deflagração da “Operação Mállku”, focada em desmantelar uma estrutura corporativa do crime que utilizava aeronaves executivas para internalizar carregamentos de cocaína pura vindos da Bolívia.
A investida operacional mobilizou equipes táticas federais para o cumprimento de 7 ordens judiciais de alta relevância, compreendendo 2 mandados de prisão preventiva e 5 de busca e apreensão domiciliar, distribuídos simultaneamente em municípios estratégicos de Mato Grosso e São Paulo.
Apreensão de meia tonelada de cocaína em Marcelândia deu início às investigações
O início da linha investigativa remonta a fevereiro de 2026, quando uma ação conjunta de inteligência entre a Polícia Federal e o Grupo Especial de Fronteira (Gefron) interceptou um carregamento de mais de 500 quilos de cloridrato de cocaína em uma pista clandestina no município de Marcelândia.
Naquele período, além do expressivo volume de droga, os agentes federais e as patrulhas de fronteira apreenderam um avião monomotor adaptado para voos de longa distância, armamentos de grosso calibre e um utilitário de apoio terrestre que realizava o transbordo dos fardos.
Os peritos criminais federais realizaram a extração de dados de navegadores GPS e smartphones recolhidos no cockpit da aeronave, permitindo o mapeamento de toda a engenharia logística do bando. Os levantamentos comprovaram que a droga de alta pureza era adquirida junto a fornecedores andinos e cruzava a linha de fronteira seca em voos rasantes para burlar a vigilância de radares da Força Aérea Brasileira (FAB).
Justiça Federal expede mandados para Ribeirão Preto e cidades do Nortão
As ordens de prisão e varredura domiciliar foram chanceladas pela Justiça Federal e miraram os financiadores, pilotos e a equipe responsável pela triangulação bancária que sustentava os custos operacionais dos voos (combustível aeronáutico, manutenção e propinas). O cerco simultâneo fechou-se nos seguintes endereços:
- Ribeirão Preto (SP): Apontada como núcleo financeiro e provável base de articulação dos operadores de câmbio negro;
- Sinop (MT): Centro logístico regional utilizado para a coordenação de insumos e contratação de serviços mecânicos;
- Alta Floresta (MT) e Marcelândia (MT): Regiões que serviam como pontos de apoio, com pistas de pouso camufladas em propriedades rurais para o descarregamento e estocagem temporária do entorpecente.
As fases de evolução da investigação internacional e o balanço de ativos interceptados ficaram dispostos na seguinte tabela de acompanhamento:
| Fase e Contexto Cronológico | Balanço de Ativos e Logística | Impacto na Estrutura do Narcotráfico |
|---|---|---|
| Fevereiro/2026: Intercepção | Mais de 500 kg de cocaína pura, 01 aeronave, armas e veículo de apoio. | Asfixia material imediata com perda de patrimônio estimado em milhões de dólares. |
| Junho/2026: Operação Mállku | 02 prisões preventivas e 05 buscas em MT e SP cumpridas pela PF. | Corte da linha de comando, prisão de pilotos e bloqueio de canais de lavagem de dinheiro. |
| Desdobramento Futuro | Análise de quebras de sigilo bancário e telemático pela Justiça Federal. | Identificação de facções nacionais que compravam a droga boliviana no atacado. |
Nome da operação faz alusão à soberania da aviação andina
A escolha do termo “Mállku” para batizar a operação — palavra que significa “condor” no idioma nativo aimará — carrega uma simbologia direta ao modus operandi investigado. O condor é a ave soberana da Cordilheira dos Andes e representa os voos de grande altitude que conectavam a Bolívia ao coração do território brasileiro.
O material coletado nos canteiros de busca desta sexta-feira foi lacrado e passará por triagem técnica nos laboratórios de inteligência da Delegacia da Polícia Federal em Sinop. Os presos serão submetidos a exames periciais e encaminhados a unidades do sistema prisional, onde permanecerão isolados e à disposição do Juízo Federal competente, respondendo pelos crimes de tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e financiamento ao narcotráfico em Mato Grosso.
Reportagem baseada nos relatórios de inteligência aérea da Polícia Federal, autos de apreensão do Gefron e despachos de medidas cautelares da Justiça Federal.
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