Maior reserva particular do país completa 29 anos como blindagem contra crise climática em Mato Grosso

Além de abrigar mais de 15 espécies ameaçadas de extinção, reserva em Mato Grosso impulsiona a economia regional aliando turismo imersivo à valorização dos saberes pantaneiros.

A Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal completa, neste sábado (4), 29 anos de atuação histórica na vanguarda da conservação ambiental em Mato Grosso.

Criada em 1997 como um desdobramento direto dos debates globais da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), a unidade protege atualmente uma imensidão de 108 mil hectares localizados no município de Barão de Melgaço, em Mato Grosso.

A extensão territorial da reserva impressiona: ela sozinha equivale a cerca de 1% de todo o Pantanal brasileiro. O dado ganha ainda mais relevância diante de um cenário nacional preocupante, já que apenas 5% da área total do bioma está resguardada por Unidades de Conservação. Ao longo de quase três décadas, a iniciativa consolidou-se como a maior RPPN do país e uma referência internacional em pesquisa científica, ecoturismo e educação ambiental.

Santuário da biodiversidade e chancela internacional

O território protegido pela RPPN Sesc Pantanal abriga uma riqueza biológica incalculável. Atualmente, estão mapeadas na área cerca de 258 espécies de plantas e 630 espécies de animais, divididas entre peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos. A reserva serve de refúgio estratégico para 15 espécies oficialmente ameaçadas de extinção, incluindo a onça-pintada — o maior predador das Américas e um termômetro crucial para medir a qualidade do ecossistema local.

Para além da fauna e da flora, os serviços ecossistêmicos prestados por esses 108 mil hectares impactam diretamente a vida humana. A floresta preservada atua ativamente na regulação da qualidade da água e do ar, na fertilidade do solo e na mitigação dos efeitos extremos das mudanças climáticas. Esse peso ecológico rendeu à reserva reconhecimentos globais de prestígio, como os títulos de Zona Núcleo da Reserva da Biosfera do Pantanal e de Sítio Ramsar.

“A RPPN é um exemplo do que pode ser feito quando uma instituição como o Sesc, em colaboração com diferentes atores da sociedade, atua em prol da conservação do Pantanal, trazendo benefícios diretos para a saúde e bem-estar das pessoas”, destaca o ecólogo Alexandre Enout, gestor da unidade. O trabalho é gerido de forma compartilhada por um Conselho Consultivo que une o setor público, privado, cientistas e a comunidade pantaneira.

Ecoturismo imersivo e resgate cultural

O desenvolvimento econômico sustentável da região também passa pela reserva através do ecoturismo operado a partir do Hotel Sesc Porto Cercado. Entre as principais atrações de imersão estão o tradicional passeio de barco de 16 quilômetros pelo rio Cuiabá, cruzando o Corixo do Moquém durante o pôr do sol, e o roteiro “Aventura na Reserva”, conduzido pelos próprios guardas-parques pantaneiros até o Posto de Proteção Ambiental Estirão.

A valorização do patrimônio humano tem espaço na visita à Casa do Pantaneiro, residência do Sr. Dito Verde, o único morador fixo da RPPN. No local, os turistas entram em contato com o modo de vida tradicional da região, regado a causos locais e ao som da histórica viola de cocho.

Laboratório científico a céu aberto

Idealizada pelo Sistema CNC-Sesc-Senac, a RPPN tornou-se um dos principais polos de produção de conhecimento científico sobre o Pantanal no mundo. Desde sua fundação, a área já serviu de base para mais de 300 publicações nacionais e internacionais, englobando artigos, teses, dissertações e livros.

Grande parte desse conhecimento foi compilada na coleção Conhecendo o Pantanal, uma obra de 12 volumes editada pelo Sesc. Alinhado à democratização da ciência, o acervo completo está disponível para download gratuito no site oficial da instituição perpetuando o legado de 29 anos de preservação e descobertas no coração de Mato Grosso.

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