Servidores da educação reagem a propostas do Executivo e não descartam greve em Lucas do Rio Verde

Presidente do Sintep afirma que categoria vê “desmonte do serviço público” e rejeita mudanças como fim da licença-prêmio

O clima entre os profissionais da educação municipal de Lucas do Rio Verde é de mobilização e alerta. Durante assembleia realizada na noite desta quarta-feira (29) o presidente do Sintep no município, Ericksen Carpes, criticou duramente propostas encaminhadas pelo Executivo à Câmara de Vereadores e apontou risco de perda de direitos históricos da categoria.

Segundo ele, os servidores avaliam que há um movimento de enfraquecimento do serviço público. “A gente entende que o Executivo está encaminhando propostas de verdadeiro desmonte do serviço público, não só da educação, mas de toda a administração. Há uma intenção clara de terceirizar diversos cargos, e isso nos preocupa muito”, afirmou.

Projeto prevê extinção de cargos

Uma das principais preocupações citadas pelo sindicato é o Projeto de Lei nº 32/2026, que tramita no Legislativo e trata da extinção de cargos na área da educação. “Esse projeto prevê a extinção de funções como guarda de patrimônio, motoristas, merendeiras, zeladoras e padeiros. São cargos essenciais dentro das escolas”, destacou Ericksen.

Licença-prêmio gera reação da categoria

Outro ponto de tensão envolve a possibilidade de alteração na licença-prêmio dos servidores. De acordo com o presidente do Sintep, a proposta teria sido apresentada em reunião oficial entre a Prefeitura e representantes sindicais.

“O que foi colocado é a substituição da licença de três meses por um pagamento de um salário e meio. Para nós, isso é retirada de direito. E a categoria não aceita nenhum direito a menos”, reforçou.

Ele ainda afirmou que a informação deixou de ser apenas um rumor. “Isso não é boato. Foi discutido em mesa oficial, com presença do prefeito e secretários. A própria presidente de outro sindicato confirmou publicamente essa proposta”, disse.

Mobilização cresce e greve não está descartada

Diante do cenário, a categoria já demonstra forte mobilização. “A assembleia lotou novamente. Isso mostra que os servidores estão atentos e prontos para reagir. Qualquer avanço nesse sentido pode, sim, levar à deflagração de greve”, alertou.

Apesar da insatisfação, uma manifestação prevista durante a audiência pública sobre a BR-163 acabou sendo adiada, após pedido do presidente da Câmara, Airton Callai. “Por respeito ao presidente, decidimos aguardar e tratar desse tema em outro momento. Mas vamos cobrar que a Câmara abra espaço para ouvir a categoria”, explicou.

Problemas estruturais também entram na pauta

Além das propostas administrativas, o sindicato chama atenção para dificuldades enfrentadas no dia a dia das escolas. “Temos falta de professores, de monitores e equipes de apoio. Há salas superlotadas, com vários alunos com necessidades especiais na mesma turma. Essa realidade precisa ser enfrentada”, pontuou Ericksen.

A categoria deve levar essas demandas ao Legislativo nos próximos dias, ampliando o debate sobre as condições da educação municipal e as mudanças propostas pelo Executivo.

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