O movimento nacional “Agro Ligadas” realizou, no último sábado (01), a 3ª edição do Tour do Algodão no município de Lucas do Rio Verde. A iniciativa proporcionou uma imersão completa para convidados e colaboradores do Sicredi, acompanhando todas as etapas da cotonicultura: desde o manejo na lavoura e beneficiamento em algodoeiras até a esmagadora de óleo e a comercialização final do produto.
A ação busca desmistificar a produção rural, promovendo a educação ambiental e fortalecendo a comunicação transparente entre o campo e a cidade.
Conexão entre o campo e a sociedade
Para Tânia Vendrusculo, produtora rural e coordenadora do movimento, a realização do evento representa um momento de valorização do agronegócio e conexão com a sociedade.
“Estamos imensamente felizes realizando nosso terceiro Tour do Algodão. Receber nossos convidados é um momento de muita gratidão, pois os levamos para uma imersão na cadeia produtiva da cotonicultura. Passamos pela lavoura, algodoeira e esmagadora de óleo para que o agro seja valorizado, o que vem ao encontro da essência do Agro Ligadas: levar a verdadeira informação e disseminar dados positivos sobre o agronegócio”, destacou Tânia.
Tânia também explicou a origem do movimento, nascido em Campo Verde (MT) a partir da iniciativa de uma mãe produtora rural. Hoje, o ‘Agro Ligadas’ está presente em oito estados brasileiros, formando lideranças femininas e desenvolvendo projetos que aproximam o trabalho do campo do cotidiano urbano.
Conscientização e educação sobre o papel do agricultor
A produtora Sandra Barzotto enfatizou que cada edição do tour cumpre o papel fundamental de conscientizar a população urbana sobre o impacto diário da agricultura na vida das pessoas.
“A cada evento conseguimos conscientizar um pouco mais a nossa sociedade do grande papel que o agricultor desempenha na vida de todos. Desde o acordar, no vestir uma roupa ou calçar um sapato, sabemos que tudo vem do agro”, afirmou Sandra.
Olhando para o futuro, Sandra revelou que as expectativas para as próximas edições incluem ampliar ainda mais a diversidade do público: “Queremos trazer estudantes universitários nas próximas edições, para que eles também sejam propagadores dessa cultura positiva do agronegócio”.
Desafios técnicos, mercado e protagonismo feminino
A engenheira agrônoma e produtora rural Vanessa Magalhães abordou a complexidade do cultivo do algodão, que exige cerca de seis meses de manejo rigoroso na lavoura, desde a seleção de sementes e avaliação do solo até a colheita. Vanessa alertou para os desafios climáticos e de mercado enfrentados pelos cotonicultores.
“Hoje nosso principal desafio está no cenário de mercado, com commodities em baixa há cerca de quatro anos consecutivos, o que espreme nossas margens. Além disso, enfrentamos previsões de fenômenos como o El Niño, que traz cortes de chuva antecipados no final do ciclo do algodão. Chuvas fora de época prejudicam diretamente a qualidade da pluma e a produtividade”, explicou a agrônoma.
Ao comentar sobre a representatividade das mulheres no agronegócio, Vanessa ressaltou que a atuação feminina vai além do suporte familiar.
“Como mulher e agrônoma, tenho muito orgulho de estar à frente do planejamento, manejo e comercialização da nossa propriedade. A mulher precisa se provar competente a todo momento, e o Agro Ligadas mostra que não estamos no campo apenas para apoiar nossos esposos, mas como tomadoras de decisão qualificadas e capacitadas gerindo os negócios”, concluiu Vanessa.
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