Dia Mundial do Cérebro reforça importância da prevenção e do diagnóstico precoce de doenças neurológicas

Especialista destaca que reconhecer rapidamente os sinais de um AVC e cuidar da saúde mental são medidas fundamentais para preservar a saúde do cérebro e evitar sequelas permanentes.

Celebrado no último dia  22 de julho, o Dia Mundial do Cérebro chama a atenção para um dos órgãos mais complexos e essenciais do corpo humano. A data, instituída pela Federação Mundial de Neurologia, tem como objetivo conscientizar a população sobre a prevenção das doenças neurológicas, estimular hábitos saudáveis e reforçar a importância do diagnóstico precoce de problemas que comprometem o sistema nervoso.

Em entrevista ao portal CenarioMT, a médica emergencista Dra. Ohara Sanches, pós-graduanda em Medicina pela Afya Cuiabá, explicou que as doenças cerebrais estão entre as principais causas de atendimentos de urgência e que o tempo é um fator decisivo para salvar vidas e reduzir sequelas.

Segundo a especialista, entre os casos mais frequentes recebidos nos prontos-socorros estão os Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs), traumatismos cranianos, crises convulsivas e alterações neurológicas agudas. Ela ressalta que a rapidez na identificação do problema é determinante para definir o tratamento mais adequado.

“A primeira avaliação busca diferenciar rapidamente uma alteração neurológica grave de outros quadros que podem apresentar sintomas semelhantes, como crises de ansiedade ou pânico. Para isso, a equipe médica utiliza exame clínico, avaliação neurológica e exames de imagem, quando necessários”, explica.

AVC continua entre os maiores desafios da saúde pública

Apesar dos avanços na medicina, o AVC permanece entre as principais causas de morte e incapacidade no Brasil. A médica destaca que diversos fatores contribuem para esse cenário, como hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo e obesidade.

Ela reforça um dos principais conceitos da neurologia: “tempo é cérebro”. Isso significa que, a cada minuto sem tratamento, milhões de neurônios podem ser perdidos, reduzindo as chances de recuperação do paciente.

Por isso, reconhecer rapidamente os sintomas faz toda a diferença. Entre os sinais de alerta estão:

fraqueza ou perda de força em um lado do corpo;

dificuldade para falar ou compreender a fala;

desvio da boca;

perda repentina da visão;

tontura intensa acompanhada de dificuldade para caminhar;

dor de cabeça súbita e muito forte.

Diante de qualquer um desses sintomas, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente, sem esperar que os sinais desapareçam.

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Dra. Ohara Sanches, médica emergencista e discente da pós-graduação médica na Afya Cuiabá. Foto: Arquivo Pessoal.

Clima também pode influenciar a saúde cerebral

A médica alerta ainda que as condições climáticas típicas de regiões como Mato Grosso, marcadas por calor intenso e baixa umidade do ar, podem representar um fator de risco indireto para eventos cardiovasculares e neurológicos.

A desidratação, o aumento da viscosidade do sangue e a dificuldade de controle da pressão arterial podem favorecer complicações, especialmente em pessoas que já possuem fatores de risco para doenças cardiovasculares.

Manter boa hidratação, controlar doenças crônicas e evitar exposição prolongada ao calor estão entre as recomendações para reduzir esses riscos.

Burnout e depressão também exigem atenção

Além das doenças neurológicas de início súbito, a especialista chama atenção para outro problema crescente: o adoecimento mental relacionado ao estresse crônico.

Casos de burnout, ansiedade e depressão têm aumentado nos consultórios médicos e representam um importante desafio para a saúde pública. Segundo a médica, o esgotamento vai muito além do cansaço comum.

Quando surgem sintomas persistentes como exaustão física e emocional, perda de rendimento no trabalho, alterações do sono, dificuldade de concentração e sensação constante de incapacidade, é fundamental buscar avaliação médica.

Ela explica que transtornos mentais não tratados podem provocar alterações importantes no funcionamento do cérebro, aumentando o risco de doenças cardiovasculares, comprometimento cognitivo e piora da qualidade de vida.

Cuidar do cérebro é investir em qualidade de vida

Na mensagem deixada durante a entrevista, Dra. Ohara Sanches reforça que a saúde cerebral deve ser encarada de forma integrada. Tanto as emergências, como o AVC, quanto os transtornos mentais que evoluem silenciosamente merecem atenção e acompanhamento.

A orientação é adotar hábitos saudáveis, manter alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar fatores de risco, preservar a qualidade do sono e procurar assistência médica diante de qualquer sinal de alteração neurológica ou emocional.

No Dia Mundial do Cérebro, o principal alerta é que prevenir continua sendo o caminho mais eficaz para preservar a saúde, reduzir sequelas e garantir mais qualidade de vida em todas as fases da vida.

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