O mercado de fretes rodoviários de grãos registrou desaquecimento e leve recuo nas cotações em parte das principais regiões produtoras do país durante o mês de julho, com destaque para o estado de Mato Grosso. O comportamento ocorreu em decorrência da trégua no intenso ritmo de escoamento da safra de soja, que havia impulsionado o setor no primeiro semestre, segundo aponta o Boletim Logístico de agosto da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
De acordo com a estatal, a descompressão nas rotas mato-grossenses refletiu a entressafra comercial momentânea. Com a entrada da nova oferta no mercado, os preços do milho sofreram pressão de baixa, levando muitos produtores a reterem o cereal nos armazéns à espera de melhores oportunidades de venda. No entanto, a expectativa do setor é de que a movimentação do milho ganhe forte tração nos próximos meses, reaquecendo a demanda por transporte rodoviário.
Comportamento das Rotas e Quedas de Preços em Julho
As cotações monitoradas pela Conab evidenciaram reduções expressivas em trechos estratégicos de escoamento a partir dos principais polos produtivos mato-grossenses:
- Rota de Sorriso para os Portos: No transporte partindo de Sorriso com destino ao porto de Santos, houve recuo de 2% em relação a junho, com o frete passando de R$ 510 para R$ 500 por tonelada. Para o porto de Paranaguá, a tarifa caiu de R$ 500 para R$ 490 por tonelada.
- Trechos Regionais e Ferroviários: As maiores baixas concentraram-se em trajetos internos e de ligação com terminais multimodais. De Sorriso para Alto Araguaia, a retração foi de 9% (R$ 210 por tonelada); para Rondonópolis, recuo de 8% (R$ 165); e para Miritituba, baixa de 8% (R$ 290). De Primavera do Leste para Alto Araguaia, o frete despencou 11%, atingindo R$ 125 por tonelada, enquanto as rotas para Santos (R$ 420) e Paranaguá (R$ 410) mantiveram-se estáveis.
Novas Dinâmicas Logísticas e Perspectivas da Safra
O relatório da Conab também chamou atenção para transformações estruturais na logística de Mato Grosso. O crescimento contínuo do consumo interno de milho — impulsionado pelo setor de biocombustíveis e rações — tem fortalecido os fretes de curtas distâncias voltados às indústrias locais, encurtando parte dos trajetos tradicionais de exportação.
Além disso, a expansão da malha ferroviária, com a entrada em operação de novos pontos de descarga nas regiões de Campo Verde e Primavera do Leste, otimiza o giro da frota de caminhões e amplia a oferta relativa de transporte. No cenário nacional, a safra de grãos 2025/26 está estimada em 360,8 milhões de toneladas (alta de 2,4%), sendo 9 milhões a mais para a soja e 1,8 milhão para o milho, com 58,3% da segunda safra colhida no fim de julho. A retomada das vendas do cereal nos próximos meses deve normalizar a demanda e redefinir o patamar dos fretes rodoviários.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.