A migração de grandes organizações criminosas para a internet forçou uma mudança profunda na estratégia de repressão policial em Mato Grosso. A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso iniciou, nesta quarta-feira (20), um workshop voltado ao combate a facções no ambiente virtual. O evento, que se estende até quinta-feira (21), reúne 94 agentes de segurança das 15 delegacias regionais do estado, além de representantes técnicos das maiores empresas do mercado financeiro e de tecnologia do país.
O encontro tem como foco central aprimorar as técnicas de investigação, o rastreamento financeiro e a repressão qualificada contra modalidades criminosas que crescem em ritmo acelerado, tais como lavagem de dinheiro em ambiente virtual, golpes corporativos com o uso de criptoativos e fraudes eletrônicas complexas através do sistema de pagamentos PIX.
Parceria com bancos e redes sociais acelera quebra de sigilo digital
Durante a cerimônia de abertura dos trabalhos, o diretor de Inteligência da Polícia Civil, delegado Juliano Carvalho, alertou que o sucesso dos inquéritos cibernéticos depende do fim do isolamento institucional. “De nada adianta a polícia investir em capacitação isolada e em aquisição de ferramentas se não tivermos parceria com essas empresas”, afirmou o diretor, evidenciando que a cooperação agiliza o congelamento de contas usadas por estelionatários.
A mesa de debates conta com painéis ministrados por especialistas antifraude de instituições tradicionais, bancos digitais, e-commerces e plataformas de entretenimento. Entre as marcas com técnicos presentes na capacitação estão Bradesco, Santander, Nubank, Mercado Livre, PagBank, PicPay, C6 Bank, Binance, OLX, Roblox, iFood e CertiFace. O objetivo é criar canais diretos e desburocratizados para o cumprimento de ordens judiciais de rastreamento.
O programa de capacitação intensiva dos escrivães, investigadores e delegados aborda temas sensíveis:
- Fraudes Eletrônicas: Identificação de engenharia social voltada à clonagem de contas de mensagens;
- Ocultação de Bens: Mecanismos de lavagem de dinheiro digital por meio de empresas de fachada;
- Moedas Virtuais: Auditoria e técnicas de rastreamento financeiro de transferências em criptoativos;
- Golpes em Apps: Monitoramento de falsos perfis e fraudes em plataformas de comércio e entrega online;
- Inteligência Artificial: Análise de tecnologias emergentes que vêm sendo utilizadas pelas facções.
Diretoria da Academia de Polícia alerta para migração de facções para a web
O avanço das fraudes preocupa o comando da instituição. O diretor da Academia da Polícia Civil, Fausto José Freitas da Silva, explicou que o crime organizado estruturou verdadeiros escritórios virtuais para movimentar o capital ilícito do tráfico de drogas sem passar pelos mecanismos tradicionais de fiscalização do Banco Central. Ele citou relatórios da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) que apontam um crescimento vertiginoso em tentativas de golpes aplicados por meio de falsas centrais telefônicas bancárias.
Complementando o debate, o coordenador de Operações e Recursos Especiais (Core), delegado Pablo Bonifácio Carneiro, defendeu que o treinamento contínuo das equipes de campo permite que as delegacias do interior do estado tenham o mesmo nível de resposta tecnológica que os núcleos especializados instalados na capital.
As autoridades policiais aproveitam o fórum para orientar a população a redobrar a cautela no cotidiano digital, evitando clicar em links recebidos por SMS e desconfiando de solicitações urgentes de dinheiro feitas por parentes em aplicativos de conversas.
| Ficha Técnica do Workshop | Metas e Estrutura do Treinamento (2026) |
|---|---|
| Público-Alvo | 94 policiais civis selecionados entre todas as 15 regionais de MT |
| Empresas Parceiras | Bancos (Nubank, Bradesco), exchanges (Binance) e e-commerces (OLX, iFood) |
| Foco Investigativo | Rastreamento de criptomoedas, fraudes com PIX e golpes virtuais |
| Realização | Academia da Polícia Civil e Diretoria de Inteligência |
A sofisticação das facções criminosas, que trocaram as armas nas ruas por computadores para aplicar golpes do PIX e lavar dinheiro com criptomoedas, exige que a polícia se modernize rapidamente para não ficar atrás dos estelionatários. Você acredita que a criação dessas parcerias entre a Polícia Civil e bancos digitais é suficiente para recuperar o dinheiro das vítimas de golpes virtuais em tempo real, ou o Banco Central deveria impor regras de segurança muito mais rígidas no PIX, bloqueando temporariamente transferências suspeitas mesmo que isso atrase os pagamentos do dia a dia dos cidadãos? Deixe sua opinião nos comentários.
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